Os Estados Unidos anunciaram na quarta-feira a venda de equipamento militar a Taiwan por 180 milhões de dólares (cerca de 165 milhões de euros), com o objetivo de manter o “equilíbrio de forças” na região.

A venda de 18 torpedos pesados MK-48 ajudará “a manter a estabilidade política, o equilíbrio de forças e o progresso económico da região”, defendeu o Departamento de Estado norte-americano, que considera uma prioridade estratégica combater o aumento da influência de Pequim na zona. Esta venda “atende aos interesses económicos e de segurança nacional dos Estados Unidos, ajudando [Taiwan] a modernizar as suas forças armadas e a manter uma capacidade de defesa credível”, apontou a mesma fonte.

O anúncio dos Estados Unidos acontece no mesmo dia em que a Presidente da ilha, Tsai Ing-wen, tomou posse para um segundo mandato presidencial pelo Partido Democrático Progressista (pró-independência).

Na cerimónia de tomada de posse, Tsai Ing-wen apelou à “coexistência” com a China num plano de “igualdade”, recusando que o estatuto do país seja “rebaixado” por Pequim. “Os dois lados têm a obrigação de encontrar uma forma de coexistência a longo prazo e de impedir que o antagonismo e as divergências se agravem”, considerou a Presidente da ilha.

Não aceitaremos o uso de ‘um país, dois sistemas’ por parte das autoridades de Pequim para rebaixar Taiwan e prejudicar as relações entre os dois países”, disse Tsai.

A fórmula “um país, dois sistemas” foi usada em Macau e Hong Kong, após a transferência dos dois territórios para a China, por Portugal e pelo Reino Unido, respetivamente, e garante às duas regiões um elevado grau de autonomia a nível executivo, legislativo e judiciário.

O governo chinês reagiu, minutos depois, a estas afirmações, declarando que “nunca tolerará” uma separação de Taiwan do território chinês.

“Temos uma determinação inabalável, confiança total e todas as capacidades para defender a soberania nacional e a integridade territorial”, afirmou Ma Xiaoguang, porta-voz do Gabinete para os Assuntos de Taiwan do Conselho de Estado chinês, em comunicado. “Nunca toleraremos nenhuma ação separatista”, avisou.

Pequim continua a rejeitar Taiwan como uma entidade política soberana e ameaça usar a força para reunificar o território, se necessário.

China e Taiwan vivem como dois territórios autónomos desde 1949, altura em que o antigo governo nacionalista chinês se refugiou na ilha, após a derrota na guerra civil frente aos comunistas.

Taiwan, que se auto designa República da China, tornou-se, entretanto, numa democracia com uma forte sociedade civil, mas Pequim considera a ilha parte do seu território e ameaça a reunificação pela força.

Pequim critica qualquer relação oficial entre países estrangeiros e Taipé, trocas que considera um apoio ao separatismo de Taiwan.