O Governo confirmou esta quarta-feira que se enganou no valor de 19.906,29 euros atribuído ao Observador sob a forma de compra antecipada de publicidade institucional e que consta na resolução publicada em Diário da República no dia anterior. Segundo o secretário de Estado do Cinema, Audiovisual e Media, o valor a atribuir seria sim de 90.568,98 euros.

Esta informação foi enviada ao Observador depois de ter sido tornada pública a sua posição relativamente à recusa deste apoio, por discordar com a forma como é feito. “Venho por este meio confirmar a existência de um erro na transcrição do valor calculado para a aquisição de espaço para ações de publicidade institucional do Estado ao Observador. Onde se lê 19.906,29€ deve ler-se 90.568,98€”, lê-se na informação enviada ao Observador, lamentando Nuno Artur Silva “o erro”.

Ainda assim, e tal como o Observador comunicou esta quarta-feira, o jornal mantém que vai rejeitar o apoio estatal em forma de publicidade porque “nunca solicitou este tipo de apoio”, tendo mesmo pedido ao Governo, em carta enviada a 25 de março e noutras tomadas de posição, uma solução mais “neutral”, como se lê no comunicado enviado pelo Conselho de Administração. Por outro lado, a administração do jornal e da rádio Observador considera também que este “programa não cumpre critérios mínimos de transparência”.

Segundo a resolução do Conselho de Ministros, a Impresa – dona da SIC e do Expresso – e a Media Capital, que detém a TVI, ficam com quase 7 milhões dos 11,2 milhões de euros de apoio aos media. A seguir surge a Cofina – detentora de títulos como o Correio da Manhã, a CMTV, o Jornal de Negócios, o Record ou a Sábado – que receberá 1,691 milhões de euros. O grupo Global Media – dono do Diário de Notícias, do Jornal de Notícias, do jornal O Jogo e da rádio TSF – receberá 1,064 milhões de euros.

Já o grupo Rádio Renascença vai ter um apoio de 480 mil euros; a Trust in News, que detém a Visão, a Exame e a Caras, vai receber 406 mil euros e a Sociedade Vicra Desportiva, donos do jornal A Bola e da Bola TV, receberá 329 mil euros. O jornal Público vai receber 314,8 mil euros em contratos de publicidade institucional.

Só há mais cinco grupos de comunicação social nacionais abrangidos pela medida, entre eles a Newsplex, dona do semanário Sol e do diário i, vai receber 38,6 mil euros; a Megafin, detentora do Jornal Económico, recebe 28,84 mil euros; a Avenida dos Aliados – Sociedade de Comunicação, dona do Porto Canal, vai receber 23,27 mil euros. A Swipe News, dona do jornal económico Eco, receberia 18,98 mil euros, mas também já anunciou que vai recusar esse valor.

Observador rejeita apoio governamental concedido ao abrigo de programa destinado aos media