As actuais baterias de iões de lítio, que são utilizadas em todos os veículos eléctricos, estão a atingir o seu estágio máximo de evolução. O próximo passo serão os acumuladores sólidos, assim denominados porque em vez de um electrólito líquido a banhar os dois eléctrodos vão recorrer a um electrólito sólido. A solução parece simples de descrever, mas tem-se revelado um desafio para superar, pois de momento – e apesar de algumas promessas – ainda ninguém conseguiu apresentar uma bateria sólida que funcionasse, se revelasse estável e que fosse comercialmente viável.

A indústria está a apostar nesta tecnologia porque se sabe que as baterias sólidas serão mais baratas de produzir, com uma maior densidade energética (mais autonomia), capazes de suportar cargas com maior potência (por não aquecerem no processo) e garantir um maior número de ciclos carga/descarga. Isto para além dos acumuladores sólidos anularem a desagradável tendência que as baterias de iões de lítio convencionais têm de começar a arder sempre que há uma avaria ou uma fuga de electrólito. Só vantagens, pelo que “apenas” falta alguém que as produza com sucesso.

Um grupo de cientistas da universidade de tecnologia sueca de Chalmers, juntamente com a universidade chinesa Xi’an Jiaotong, parece ter dado um significativo passo em frente, no sentido de conseguir estabilizar o electrólito sólido, permitindo que os electrões naveguem entre o cátodo e o ânodo, durante a carga e a descarga. O mais curioso é que o conseguiram adicionando uma espécie de manteiga ao material que serve como electrólito.

Descoberta portuguesa revoluciona baterias

De acordo com descrição dos investigadores, o novo produto tem a consistência da manteiga quando está no frigorífico e daí a comparação. Aplicado directamente no ânodo, que continua a ser essencialmente feito de lítio, forma uma zona de transição que facilita a passagem dos iões de e para o electrólito sólido. A inovadora manteiga é, na realidade, uma mistura de um líquido à base de iões de lítio e de nanopartículas, que assegura a desejada transição para o electrólito sólido, construído em Nasicon (à base de sódio, Na), uma das soluções mais prometedoras para este tipo de material, cuja condutividade iguala a dos electrólitos líquidos.

A “manteiga” é necessária para ultrapassar a dificuldade que o Nasicon tem em se ligar com o lítio do ânodo, provocando reacções químicas instáveis que, segundo os cientistas, são assim ultrapassadas. Para o professor do departamento de Física da universidade de Chalmers, Aleksandar Matic, as baterias sólidas com “manteiga” poderão estar no mercado dentro de cinco anos. Contudo, avisa o especialista, o recurso a líquido iónico para a produção da “manteiga” vai fazer elevar os custos.