Tem acesso livre a todos os artigos do Observador por ser nosso assinante.

“O meu avô nasceu em 1908, 60 anos depois da abolição da escravatura em Guadalupe. Quando a minha mãe nasceu, em 1947, havia segregação nos Estados Unidos. Quando eu nasci, em 1972, estava o apartheid na África do Sul. Em França, o racismo instituído acabou nos anos 60. Se não estivermos a par desta história, podemos pensar que há mais racismo hoje. Mas posso dizer-vos que não há. Há muito menos”. A visão de Lilian Thuram é otimista. Antigo central tornado intelectual, o ex-jogador francês não tem dúvidas de que a situação do racismo, da xenofobia e da discriminação com base na cor da pele já esteve pior — e até fica satisfeito quando é criticado por aquilo que diz.

Em setembro, logo depois de Lukaku, avançado do Inter Milão, ouvir cânticos racistas durante um jogo — algo que se repetiu diversas vezes ao longo da temporada, em vários países, em vários clubes, para vários jogadores –, Thuram deu uma entrevista ao Corriere dello Sport onde falou sobre as próprias experiências e fez um apanhado geral dos episódios. “É necessário ter a coragem de dizer que os brancos acreditam que são superiores”, disse o antigo central, numa frase que depressa o atirou para um vórtice de críticas que o acusaram de ser “racista contra os brancos”. “O facto de este assunto estar a ser debatido cada vez mais é bom. E se eu sou atacado, então isso significa que, de alguma forma, as minhas ações estão a deixar algumas pessoas desconfortáveis. Sentem-se em perigo, o que, novamente, é um bom sinal. Não nos podemos esquecer de que Nelson Mandela também foi acusado de ser racista contra os brancos, assim como Martin Luther King”, comenta atualmente Thuram, numa recente entrevista ao The Guardian, onde garante que não se compara aos dois ícones dos direitos civis na África do Sul e nos Estados Unidos mas que olha para eles enquanto “inspirações”.

Este artigo é exclusivo para os nossos assinantes: assine agora e beneficie de leitura ilimitada e outras vantagens. Caso já seja assinante inicie aqui a sua sessão. Se pensa que esta mensagem está em erro, contacte o nosso apoio a cliente.