Já no início do mês, no Parlamento, a ministra da Modernização do Estado e da Administração Pública, Alexandra Leitão dizia não poder garantir que os aumentos da função pública acontecessem no próximo ano. Agora, acrescenta a essa falta de garantia mais uma incerteza: o congelamento de carreiras.

Alexandra Leitão explica, no entanto, que essa não é a estratégia e que “neste momento e com o quadro atual” não “seriam, ou serão, as primeiras medidas a privilegiar”. Em entrevista ao Jornal de Negócios e à Antena 1, a ministra destaca que o orçamento deste ano “não tem travões aos prémios de desempenho” e que o Governo está disponível para negociar com os sindicatos outros aspetos “como sejam a facilitação da conciliação”, que considera serem medidas que também “são formas de valorizar” os trabalhadores da administração pública que, segundo a responsável pela tutela, não têm apenas pela via salarial a única forma de valorização.

“Quando falei em rejeitar a austeridade o que quero dizer é exatamente isto: num momento em que a economia precisa de investimento e de rendimentos, até para que as pessoas possam dinamizar o consumo interno, até porque provavelmente o consumo externo sofrerá, [essas] não serão as primeiras medidas a privilegiar, mas eu neste momento não posso excluí-las liminarmente”, respondeu a ministra da Modernização do Estado e da Administração Pública quando questionada sobre a hipótese de congelar as progressões.

Para já e em relação ao orçamento retificativo que deverá ser apresentado em junho, a ministra diz que “não está em cima da mesa” pelo que não deverá constar qualquer obstáculo às progressões na carreira.

Quanto ao orçamento do próximo ano, a ministra diz que é necessário ver “como é que as coisas evoluem”, frisando que o Executivo tem “de ser cuidadoso”. “Se eu lhe digo que espero que não haja uma política de cortes de rendimentos esperaria que não seja essa a solução”, afirmou ainda Alexandra Leitão.