Três médicos da Escola de Harvard sugeriram num artigo publicado no início de maio que quem tiver relações sexuais com alguém que não esteja a cumprir confinamento deverá utilizar máscara para evitar um contágio pelo novo coronavírus. O melhor mesmo é a abstinência sexual ou a masturbação. Para quem isso não for “exequível”, aconselham o sexo online.

Numa tabela que resume as “práticas sexuais” e “recursos” mais seguros durante a pandemia da Covid-19, os médicos norte-americanos notam que quem faz “sexo com pessoas além daquelas com quem está em confinamento” deve cumprir uma longa lista de cuidados que envolvem usar máscara durante o ato sexual.

Mas não só. O artigo indica também que se deve “minimizar o número de parceiros sexuais, evitar parceiros sexuais com sintomas consistentes com uma infeção pelo SARS-CoV-2, evitar beijos e comportamentos sexuais com risco de transmissão fecal-oral ou que envolva sémen ou urina, usar máscara, tomar banho antes e depois da relação sexual e limpar o espaço físico com sabão ou toalhitas com álcool”.

Mesmo assim, estas nem sequer são os comportamentos sexuais mais seguros durante a crise de saúde pública protagonizada pelo novo coronavírus, avisam os médicos. O melhor é a abstinência sexual por causa do “risco de infeção baixo”, mas como “não é exequível para muitos”, os médicos aconselham a masturbação.

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No entanto, há outra sugestão na tabela: a “atividade sexual através de plataformas digitais, tais como o telemóvel ou videochamada”. “Dado que as recomendações apenas para abstinência, no entanto, provavelmente promoverão vergonha e não alcançarão os resultados comportamentais pretendidos as recomendações positivas para o sexo em relação à atividade sexual remota são ideais durante a pandemia”.

Segundo o artigo, as atividades sexuais através de vias digitais “equilibra as necessidades humanas de intimidade com a segurança pessoal e o controlo de pandemia”: “Os pacientes podem ser aconselhados a envolver-se em atividades sexuais com parceiros através dos serviços de chat por telefone ou vídeo”, recomendam os médicos.

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O problema é que estas práticas, embora seguras do ponto de vista de saúde pública, são perigosas para a privacidade dos indivíduos e podem resultar mais tarde em casos de extorsão, chantagem ou exposição indesejada na internet. É um risco, admitem os médicos, mas pode ser colmatado com “plataformas encriptadas seguras”.

Já na tabela que acompanha o texto, em que estas práticas são consideradas as terceiras mais seguras depois da abstinência e masturbação, os médicos adensam a lista de recomendações: os pacientes “devem ser alertadas para o risco das capturas de ecrã” e “os menores devem ser alertados em consequências legais possíveis se estiverem na posse de imagens de outros menores. Além disso, “devem ser aconselhados sobre os riscos da predação sexual online“.