O Facebook anunciou esta sexta-feira que removeu das suas plataformas de redes sociais várias contas com ligações a grupos de extrema-direita que planeavam infiltrar-se nos protestos contra a violência policial que decorrem há vários dias nos Estados Unidos.

Intitulados “Proud Boys” e “American Guard”, os grupos online agora apagados, e que estavam associados a movimentos supremacistas brancos, eram constituídos por dezenas de contas nas redes sociais Facebook e Instagram.

“Estávamos já a trabalhar nestes grupos e nas páginas associadas, com a ideia de removê-los dentro de uma semana ou duas”, explicou o diretor da unidade de combate contra organizações perigosas no Facebook, Brian Fishman.

“Mas quando vimos que estavam a publicar conteúdos relacionados com os protestos e que estavam a organizar-se para participar presencialmente, em alguns casos com armas, tivemos de acelerar a nossa investigação e a remoção das contas”, precisou o representante, numa conferência de imprensa.

Brian Fishman não deu pormenores sobre o número de utilizadores que seguiam estes grupos online, nem mesmo indicou o número de visualizações dos conteúdos agora removidos.

Esta unidade do Facebook decide remover contas em função dos conteúdos publicados, que neste caso em particular promovia um “discurso de ódio”.

O grupo online “American Guard” tinha 80 contas no Facebook e outras 50 no Instagram, enquanto o grupo “Proud Boys” tinha 30 contas em cada rede social.

Manifestações contra a violência policial e o racismo têm sido organizadas em várias dezenas cidades nos Estados Unidos desde a morte de George Floyd em 25 de maio, em Minneapolis, no estado do Minnesota.

O afro-americano de 46 anos morreu depois de um polícia branco lhe ter pressionado o pescoço com um joelho durante mais de oito minutos numa operação de detenção, apesar de Floyd dizer que não conseguia respirar.

Em Las Vegas, no estado do Nevada, três militantes de extrema-direita foram indiciados na quarta-feira por incitar à violência durante marchas pacíficas.

Segundo os serviços do procurador-federal do Nevada, Nicholas Trutanich, os três homens pertenciam ao movimento “Boogaloo”, um termo conotado ao ‘aceleracionismo’, tendência associada à extrema-direita que defende uma “aceleração” do capitalismo e o caos para “derrubar” a ordem existente e para “construir” uma “nova sociedade”, baseada na supremacia branca.

Nicholas Trutanich indicou que os três homens estavam na posse de ‘cocktails molotov’.

“Elementos violentos sequestraram os protestos pacíficos em todo o país, incluindo no Nevada, explorando a raiva real e legítima suscitada pela morte de Floyd ao serviço das suas agendas extremistas”, afirmou o procurador federal, num comunicado.

O Facebook também removeu um grupo intitulado “Identity Europe”, que, segundo a rede social Twitter, se apresentava “de modo falso” como sendo anti-fascista.

O Facebook garantiu não ter detetado sinais de uma eventual interferência estrangeira nestes grupos e nos protestos.

O procurador-geral dos Estados Unidos (o equivalente ao ministro da Justiça), Bill Barr, afirmou na quinta-feira que “agentes estrangeiros” estavam a tentar “exacerbar a violência” nos protestos ocorridos no território norte-americano nos últimos dias.

Desde a divulgação das imagens da detenção de George Floyd nas redes sociais, têm-se sucedido protestos contra a violência policial e o racismo em dezenas de cidades norte-americanas (e também em cidades europeias), algumas das quais foram palco de confrontos com a polícia e de atos de destruição e de pilhagem.

Em várias dezenas de cidades norte-americanas, incluindo em Washington e em Nova Iorque, foi decretado um recolher obrigatório por causa dos incidentes, existindo registo de milhares de detenções, de várias vítimas mortais e de vários agentes da polícia alvejados.

Na segunda-feira, numa declaração feita a partir da Casa Branca, Donald Trump afirmou ser o “Presidente da ordem e da lei”, ameaçando mobilizar as forças militares para acabar com a violência nas ruas.

Os quatro polícias envolvidos na detenção do afro-americano foram despedidos e acusados, e o agente Derek Chauvin, que colocou o joelho no pescoço de Floyd, foi acusado de homicídio em segundo grau, arriscando uma pena máxima de 40 anos de prisão.

Os restantes vão responder por auxílio e cumplicidade de homicídio em segundo grau e por homicídio involuntário.

A morte de Floyd ocorreu durante a sua detenção por suspeita de ter usado uma nota falsa de 20 dólares (18 euros) numa loja.