Recordando que, a meio de março, quando os casos de infeção pelo novo coronavírus começaram a aumentar no País, foi um dos primeiros a defender o encerramento imediato das escolas, o ex-ministro da Saúde Adalberto Campos Fernandes, especialista em Saúde Pública, disse esta quinta-feira em entrevista à Rádio Observador que o atual talvez seja o momento de começar a “equacionar” o regresso das crianças às comunidades escolares.

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“Estamos a acentuar, sobretudo nas crianças e adolescentes, problemas gravíssimos de desigualdades. Há comunidades onde a escola é praticamente a alternativa à família, muitas vezes em termos alimentares e de acompanhamento”, alertou o ex-governante, para justificar e defender o regresso às atividades letivas, “tão cedo quanto possível”, “sobretudo nas idades mais baixas, no pré-escolar e no ensino básico”.

“Acompanho aqueles que dizem que estaria a altura de, progressivamente, ativar o regresso às comunidades escolares, sobretudo dos mais novos, em que o risco de facto é  menos intenso, pelas razões que não têm que ver com o Covid ou não Covid, mas com o processo de desequilíbrio social que se está neste momento a gerar e que tem consequências a médio prazo que são negativas”.

Depois de, ao longo da entrevista, ter defendido que os portugueses têm de “aprender a viver com o risco” e de considerar que existem “demasiadas normas” instituídas no combate à pandemia, Adalberto Campos Fernandes preferiu, por “prudência”, não concretizar a forma como deverá ser feito o regresso dos alunos às escolas.

“Não vejo, com os dados que tenho disponíveis neste momento, que isso represente um risco adicional ou um risco que não possa ser gerível em termos de comunidade e saúde pública, mas, enfim, não quero estar a tomar uma decisão definitiva, porque não tenho a informação toda que me permita dizer com clareza que devia abrir tudo amanhã ou abrir faseadamente. Sou favorável à reabertura, em função dos dados a que tenho acesso e que conheço”.