Perto de mil pessoas foram retiradas de uma festa na praia de Carcavelos, disse à Rádio Observador o comissário da PSP de Lisboa, Artur Serafim. A polícia interrompeu a festa pelas 00h30, tendo os participantes dispersado sem incidentes. A festa envolveu música e bebidas.

PSP: “Fazemos um apelo para que os jovens não adiram a estas festas”

O comissário Artur Serafim acrescentou que o ajuntamento de pessoas foi no parque de estacionamento, junto ao restaurante A Pastorinha, perto da praia de Carcavelos. “Foi uma festa organizada através das redes sociais, como é usual nos dias de hoje”. A PSP continua “atenta”, garante. “Apelamos a que todos os jovens não adiram a este tipo de eventos”, pediu. A operação demorou cerca de duas horas e “não teve qualquer tipo de incidente”, concluiu.

Foto SIC

Nas fotografias entretanto divulgadas nas redes sociais, muitos destes jovens aparentam ser menores. O jornal Correio da Manhã escreveu que se tratou de uma festa temática de música brasileira.

Na conferência de imprensa da última sexta-feira, a ministra da Saúde, Marta Temido, já tinha alertado para a proibição de “ajuntamentos com mais de 20 pessoas”, frisando que “este momento é de pôr os pés na terra e fazer o que é preciso fazer”. Marta Temido referia-se a uma festa ilegal realizada em Lagos, no Algarve, por onde terão passado mais de cem pessoas. Até ao momento, 90 testes deram positivo.

Foto SIC

Festa coexistiu com uma homenagem a jovem que morreu num acidente. Eventos não estão relacionados

Uma das fotografias divulgadas pelo Observador mostra um grupo de pessoas, em roda, no areal da praia de Carcavelos. Numa outra imagem, é possível ver o que parece ser um abraço coletivo. Porém, ao contrário do que escreveu inicialmente o Observador, essas fotografias não estão ligadas com a festa que juntou mil pessoas e que obrigou à intervenção da polícia.

O esclarecimento foi enviado ao Observador pelo pai de uma aluna da Escola Secundária Quinta do Marquês, em Oeiras. O grupo de pessoas que estava no areal participava numa homenagem a um jovem de 16 anos, daquela escola, que morreu atropelado numa passadeira em Cascais, a 13 de junho. O rapaz faria na sexta-feira 17 anos.

A fotografia da homenagem ao jovem que morreu num acidente na semana passada. O Observador tinha inicialmente publicado a imagem como fazendo parte da festa que juntou mil pessoas, a poucos metros de distância, mas foram dois eventos independentes

O momento em que o grupo de jovens se junta em homenagem a colega que morreu atropelado

“Os colegas, pais e psicóloga da escola juntaram-se para celebrar a vida do colega e filho. A maioria usou máscaras, e no máximo seriam umas dezenas”, refere o pai de uma das participantes, ao Observador. As fotografias mostram, porém, que não estariam a ser mantidas as distâncias de segurança e que estavam reunidas mais de 20 pessoas. A festa que juntou mil pessoas, garante a mesma fonte, “aconteceu mais tarde, com outras pessoas e a mais de 600 metros de distância”.

O Observador questionou, por email, a Escola Secundária Quinta do Marquês sobre se teve conhecimento da homenagem, e aguarda resposta.

Ao Observador, o comissário Artur Serafim disse desconhecer a ocorrência da homenagem ao jovem. E confirma que a PSP dispersou um ajuntamento com perto de mil pessoas, mas que não tem conhecimento sobre grupos distintos. O comissário explica também que as duas localizações mencionadas — parque de estacionamento junto à Pastorinha e a zona do areal em frente ao restaurante, onde os adolescentes se sentaram em círculo — correspondem à mesma praia. O comissário lembrou que não são permitidos ajuntamentos de mais de 20 pessoas.

Uma testemunha que esteve no local, a partir das 22h40, e que assistiu à festa e à homenagem, relatou ao Observador que os jovens no areal não cumpriam o distanciamento social. “Olhei uma segunda vez, não tinham máscara. Estavam calados, concentrados. À medida que o tempo foi passando, houve um momento em que um pegou numa espécie de foco com luz enorme e quase todos levantaram-se e uniram-se num abraço”, disse. O pai da aluna, que contactou o Observador, garante, porém, que “a maioria usou máscara”.

Perto das 00h00, no parque de estacionamento junto à Pastorinha, a mesma testemunha relatou a presença de centenas de adolescentes. “Vês tanta gente que não te consegues sentir em segurança. Ninguém estava a usar máscara”.