Um norte-americano está entre as três vítimas mortais do esfaqueamento de sábado num parque na cidade inglesa de Reading, que a polícia classificou como um ataque terrorista, confirmou esta segunda-feira o embaixador dos EUA no Reino Unido.

Numa mensagem publicada na rede social Twitter, o embaixador Woody Johnson ofereceu as “mais profundas condolências” às famílias dos mortos no ataque em 20 de junho e acrescentou: “Para nossa grande tristeza, entre eles está um cidadão americano”.

Três pessoas foram mortas e outras três gravemente feridas no ataque com uma faca no sábado à noite no parque Forbury Gardens, em Reading, uma cidade de 200.000 habitantes a 64 quilómetros a oeste de Londres.

Reino Unido: suspeito de ataque terrorista estava referenciado nos serviços secretos britânicos

Um homem de 25 anos que se acredita ser o único atacante está sob custódia policial, mas as autoridades disseram que o motivo do ataque não era claro.

Outra das vítimas identificadas é James Furlong, 36 anos, um professor de história e ciência política numa escola secundária na cidade vizinha de Wokingham.

Um minuto de silêncio foi observado esta manhã em Reading, onde era esperada uma visita da ministra do Interior, Priti Patel.

Na primeira página de quase todos os jornais britânicos está a notícia de que o suspeito, identificado como Khairi Saadallah, um refugiado líbio de 25 anos, esteve no radar do serviço de informações interno britânico MI5 em 2019 por causa de inclinações em ingressar num grupo jihadista em 2019 no estrangeiro, porém não foi considerado um risco iminente.

Segundo o The Daily Telegraph, o jovem foi libertado da prisão em junho depois de ser condenado por crimes menores não relacionados com terrorismo e sofria de problemas significativos de saúde mental.

O perfil suscita interrogações sobre a necessidade de vigilância sobre certos criminosos tendo em conta que os autores de dois ataques realizados nos últimos meses em Londres já haviam sido condenados por terrorismo.

No final de novembro, um jihadista em liberdade condicional esfaqueou duas pessoas e em fevereiro três pessoas foram feridas com uma faca por um extremista islâmico, ambos abatidos pela polícia.

O governo conservador de Boris Johnson anunciou na altura uma proposta de lei para aumentar as penas para os autores de atos terroristas, proibindo a libertação antecipada.

Esta segunda-feira, o secretário de Estado da Segurança, James Brokenshire, prometeu novas medidas se for necessário, mas confirmou que o grau de alerta não foi elevado e permanece em “substancial”, o terceiro nível numa escala de cinco.

Mark Rowley, ex-chefe da unidade de contraterrorismo da polícia de Londres, disse esta segunda-feira à BBC que “se cerca de 3.000 pessoas estiveram sob investigação a certa altura” devido ao risco terrorista que representam, “existem 40.000 pessoas (…) cujos nomes passou pelo sistema”.

Acrescentou ainda identificar entre essas 40.000 pessoas “quem muda de um simples interesse [por uma ideologia extremista] para se tornar num agressor determinado, é um problema mais complicado que os serviços (de segurança) enfrentam”.