O PCP questionou o Governo sobre a alegada tentativa de despedimento dos trabalhadores da lavandaria hospitalar do Fundão, no distrito de Castelo Branco, e exigiu medidas para evitar a situação.

Numa pergunta apresentada na Assembleia da República e dirigida aos ministérios da Saúde e do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social, o grupo parlamentar do PCP lembra que a lavandaria serve os hospitais da Covilhã, Fundão e Castelo Branco e que é gerida pelo Serviço de Utilização Comum dos Hospitais (SUCH), tutelada pelo Governo.

No documento subscrito pelos deputados Diana Ferreira, Vera Prata e Paula Santos também se salienta que, no dia 29 de maio, os trabalhadores foram surpreendidos” pela presença de representante dos recursos humanos do SUCH, “que convocaram de forma individualizada cada um dos 21 trabalhadores, com o objetivo de apresentar uma proposta de acordo de cessação dos respetivos contratos de trabalho, exigindo que os trabalhadores endereçassem resposta à proposta apresentada três dias depois.

O PCP salienta que, desses três dias, dois seriam de fim de semana, “o que claramente poderia impedir os trabalhadores de se aconselharem junto de quem entendessem, nomeadamente do respetivo sindicato”.

“De acordo com os argumentos da empresa, a destruição destes 21 postos de trabalho deve-se ao facto de, supostamente, ter existido uma redução da atividade motivada pela Covid-19”, refere o PCP, salientando que também foi comunicada a “intenção de encerrar até ao final do mês de junho” e que seis trabalhadores foram “dispensados da obrigação de assiduidade” nos dias 8 e 9 de junho.

O PCP também salienta que, no dia 8 de junho, a roupa do Hospital de Castelo Branco, habitualmente tratada no Fundão, foi encaminhada para a unidade de Vialonga (Vila Franca de Xira), a mais de 200 quilómetros.

Frisando as responsabilidades acrescidas de manter os postos de trabalho, o PCP quer saber se o Governo tem conhecimento da situação e questiona se vão ser tomadas medidas para garantir aqueles empregos e o respeito pelos direitos dos trabalhadores.

Esta situação já tinha sido previamente denunciada pelo Sindicato dos Trabalhadores da Indústria Hoteleira, Turismo, Restaurantes e Similares do Centro que garantiu que a lavandaria hospitalar do Fundão poderia estar em risco de encerrar e deixar no desemprego 25 pessoas, o que considerou “inaceitável” e “imoral”.

Na sequência de um plenário de trabalhadores foi ainda apresentado um pré-aviso de greve para o dia 25 de junho.

Entretanto, em resposta escrita enviada à agência Lusa, o SUCH negou que vá haver despedimentos naquela lavandaria e garantiu que só está a procurar uma “alteração do modelo de gestão” e que já “estão a decorrer contactos com a Câmara Municipal do Fundão e operadores locais de forma a consolidar uma solução”.

“A propósito das notícias veiculadas, informamos que não se está a equacionar qualquer despedimento e esclarecemos que o número de profissionais adstrito à exploração desta unidade é um total de 21”, foi referido pelo SUCH.