O italiano que começou a sua carreira na Renault, passando depois pela Toyota, antes de mostrar serviço na FCA, como número dois de Sergio Marchionne, confirmou o seu estatuto de milagreiro aos comandos da Seat, do Grupo Volkswagen. Mas nada disto lhe garante que a sua liderança da Renault e do Grupo Renault vá ser um passeio pelo parque. Pela frente tem vários desafios e muita gente que lhe vai exigir que faça omeletes, mas sem partir ovos.

Eis os cortes que Luca de Meo vai fazer na Renault

No seu discurso em frente à assembleia-geral, a 19 de Junho, Luca de Meo começou por tentar conquistar a audiência, confessando-se um amante do automóvel e com uma relação muito especial com a Renault, onde teve o seu primeiro trabalho, após terminar os estudos.
Mas na assembleia estavam presentes os accionistas que viram as acções baixar nos últimos 26 meses, caindo quase 79% de 98,7€ para 21,1€. É claro que a pandemia prejudicou os resultados dos franceses, como os de qualquer outro fabricante europeu, mas foram as guerras com a Nissan e, sobretudo, os seus prejuízos consecutivos desde o afastamento de Carlos Ghosn que levaram a marca japonesa à situação (desesperante) em que se encontra.

Mas além de se bater com a Nissan e triunfar onde Ghosn falhou – no controlo da empresa nipónica, para o que vai ter de enfrentar a oposição da Nissan e do Governo japonês –, Luca de Meo tem de lutar com uma mão atrás das costas, pois o Estado francês vai obrigá-lo a atingir os objectivos sem “aborrecer” a Nissan, sem fechar fábricas e sem despedir trabalhadores, pelo menos na Europa. Ou, melhor, em França.

Como a Renault vai poupar 2000 milhões até 2023?

No rol das boas notícias apenas a aprovação – sem grandes discussões – do seu salário, que a assembleia aceitou com uma maioria de 87%. O gestor vai receber anualmente 1,3 milhões de euros de componente fixa, para depois poder dar um salto de 150% consoante os resultados, reforçado por um pack de 75.000 acções, que lhe serão entregues segundo determinadas condições.

Resta agora ver que truques de Meo tem na manga e que jogo de cintura aprendeu com esse grande mestre que foi Marchionne. Na lista de trunfos, Luca de Meo parece ter o apoio do chairman Jean-Dominique Senard e as recentes provas que levam a crer que a Nissan terá orquestrado a prisão de Ghosn para evitar ser controlada pela Renault. Não será fácil, mas as dificuldades não têm por hábito dissuadir o italiano.