Depois da derrota desta terça-feira na Luz, que empurrou o Benfica para o segundo lugar a três pontos do FC Porto e foi já o quinto jogo seguido sem ganhar dos encarnados em casa, muitas foram as vozes que se levantaram para comentar o que se tinha passado. A começar por Bruno Lage, que ainda na conferência de imprensa perguntou aos jornalistas “quem é que anda a pagar almoços” para lhe tirarem o lugar de treinador, e a continuar com Rui Gomes da Silva, Bruno Costa Carvalho e Ricardo Martins Pereira, os três nomes que têm sido a oposição à liderança de Luís Filipe Vieira.

Talvez por isso, pela disseminação de vozes e pela dispersão de opiniões, o Benfica tenha decidido centralizar a posição do clube — olhando para a derrota do passado e apontando baterias ao futuro. Numa nota publicada no site do clube, os encarnados reagiram pública e oficialmente ao desaire com o Santa Clara e desenharam a orientação para as seis jornadas que ainda falta disputar na Primeira Liga.

A Luz deixou de ser amuleto: a pior série caseira em 116 anos de história e o fim de dois registos que duravam desde o século passado

“Depois de, em Vila do Conde, frente a um adversário complicado, a nossa equipa ter regressado aos triunfos, não esperávamos novo desaire. Aconteceu, não devia ter acontecido, e agora não nos resta outra possibilidade que não seja a de olhar para o próximo jogo com a ambição de regressarmos às vitórias. Esta equipa e estes jogadores já deram provas no passado recente da sua capacidade de recuperarem e ultrapassarem os momentos mais difíceis. Todo o foco tem de estar concentrado aí”, começa por dizer o comunicado, que reconhece mais à frente que o “ciclo negativo de resultados dificulta a revalidação do título”. “Mais do que nunca, exige-se uma resposta à Benfica!”, completa.

“Faltam seis jornadas, a distância é de três pontos, e se alguma coisa aprendemos com o passado, e mesmo nesta época, é que as contas só se fazem no fim. Agora importa centrar esforços já no próximo jogo, na deslocação ao Marítimo”, acrescenta a nota, referindo depois que esta reta final do Campeonato está a ser disputada em “situações atípicas” e “circunstâncias particularmente difíceis”, sublinhando a ausência “dos benfiquistas nas bancadas” como uma justificação para a falta de capacidade para “ultrapassar dificuldades”.

[Ouça aqui a opinião do treinador Carlos Alberto Diniz no programa “Relatório de Jogo” da Rádio Observador]

Benfica falhou devido “a uma série de ingenuidades e falhas de avaliação”

Mais à frente, o comunicado acaba por referir que a derrota desta terça-feira aconteceu devido a “golos fortuitos”, assim como uma “grande penalidade forçada” — ainda que ressalve que esse fator “não deve servir de atenuante” –, e que o golo sofrido já no tempo de descontos e que deu a vitória ao Santa Clara, marcado por Zé Manuel, aconteceu devido à “ineficácia e infelicidade”, em referência ao erro de Ferro. “Independentemente das circunstâncias, perdemos três pontos e tal não deveria ter acontecido”, garante a nota.

“Todos esperamos que este ciclo difícil seja o mais rapidamente ultrapassado. A nossa história gloriosa demonstra que quase sempre o conseguimos com celeridade. A capacidade de superação e a resiliência são marcas distintivas do Benfica e dos benfiquistas. Estamos certos de que a equipa técnica e o plantel, afinal os campeões nacionais em título, mais do que todos quererão dar essa alegria aos milhões de benfiquistas que, por fora, só querem uma coisa: ganhar e lutar em cada jogo pela vitória. Não desistiremos!”, termina o comunicado.

De referir que, para esta sexta-feira, está marcada uma Assembleia-Geral para aprovação do orçamento do clube para o exercício de 2020/21 — isto depois de, no final da semana passada, o Benfica ter lançado um novo empréstimo obrigacionista, com o CEO Domingo Soares de Oliveira a justificar a ação com a pandemia e respetivas consequências económicas e financeiras. Resta saber se, na próxima sexta-feira e na hora da votação para aprovação do orçamento, a crescente contestação a Luís Filipe Vieira e ao mau período desportivo da equipa principal de futebol podem influenciar o sentido de voto dos sócios.