A ministra da Cultura, Graça Fonseca, lamentou este domingo, “profundamente”, a morte do realizador Alfredo Tropa (1939-2020), que definiu como “uma figura importante da televisão portuguesa e da cinematografia nacional”.

O realizador português Alfredo Tropa, autor de documentários e programas de televisão, como “Povo que Canta”, que fez com o etnomusicólogo Michel Giacommetti, morreu no domingo aos 81 anos, anunciou a Academia Portuguesa de Cinema.

Graça Fonseca recorda o percurso de Alfredo Tropa, desde a sua chegada a Coimbra, em 1960, para frequentar a Faculdade de Ciências, altura em que se afirma o seu interesse pelo cinema e o movimento cineclubista, e a sua entrada, no ano seguinte, no Institut des Hautes Études Cinématographiques, em Paris, onde se diplomou em realização cinematográfica.

A ministra da Cultura recorda ainda o realizador entre os fundadores do Centro Português de Cinema, “que tiveram um papel central” na afirmação do Cinema Novo em Portugal.

PUB • CONTINUE A LER A SEGUIR

Em 1968, Alfredo Tropa entrou para os quadros da Rádio Televisão Portuguesa “onde decorreu a essência da sua atividade cinematográfica, nomeadamente na realização da série televisiva ‘Povo que Canta’, que documenta a obra do etnólogo e musicólogo Michel Giacometti, dando assim a conhecer ao país uma considerável diversidade de cantos de trabalho e um importante património imaterial em vias de extinção”, escreve Graça Fonseca.

Na RTP, foi ainda responsável pelo departamento de Arquivos e Documentação, “espelhando o seu interesse analítico sobre a preservação do património fílmico nacional”, sublinha a ministra da Cultura.

Agraciado com o Grau de Comendador da Ordem do Infante D. Henrique, a 9 de junho de 2000, “Alfredo Tropa será sempre recordado como uma figura importante da televisão portuguesa e da cinematografia nacional”.

Este ano “será um dos homenageados pela Academia Portuguesa de Cinema com o Prémio Sophia de Carreira, na qualidade de um dos fundadores do Centro Português de Cinema”, conclui a ministra da Cultura.

O realizador português, que morreu aos 81 anos, iniciou a carreira como assistente de realização dos filmes fundadores do Cinema Novo, como “Mudar de Vida”, de Paulo Rocha, e “Uma Abelha na Chuva”, de Fernando Lopes, movimento em que a sua expressão se inclui.

Na sua filmografia constam curtas-metragens como “Regata” (1968), “Um Homem, Uma Obra” (1973), e as longas-metragens “Pedro Só” (1970) e “Bárbara” (1979).

“Figueira – Um Amor Correspondido” (1974), “Beja – Um Povo Que Se Levanta” (1975), “O Povo e a Arte” e “O Povo e o Futuro” (ambos de 1975), “Não Parar o País! Regionalização” (1976), “Uma Maré de Moliço” (1977), “A Getway to Europe” (1979), “Auto da Criação e do Nascimento do Mundo” (1979), “Le Soleil de Beton” (1987) são outros títulos da sua obra.

Fez também documentários dedicados a figuras das artes e das letras portuguesas como Alexandre Herculano, Padre António Vieira e Bernardo Marques.

Para a RTP dirigiu, entre outras produções de ficção, o telefilme “Luísa e os Outros” (1987), integrado na série “Fados”.