Na cimeira online liderada pelo português António Guterres, o secretário-geral da ONU apelou ao mundo para parar com os financiamentos ao carvão como fonte de energia e à construção de centrais termoeléctricas que o utilizem como combustível. A conferência decorreu perante uma audiência de quase meio milhão de espectadores, bem como os representantes oficiais de 40 países, que juntos são responsáveis por 80% das emissões mundiais.

A conferência foi organizada pela Agência Internacional de Energia (AIE), com Guterres a louvar regiões como a União Europeia e países como o Canadá, Coreia do Sul e Nigéria pelo seu empenho na mudança rumo às energias renováveis. Mesmo a China, que sozinha queima mais de 50% do carvão consumido por todo o mundo, afirmou estar decidida a desenvolver o sector das renováveis. O secretário de Energia, em representação dos EUA, criticou a tentativa da maioria associar os esforços para reduzir as emissões poluentes à recuperação pós-Covid 19.

A AIE afirmou que era “fundamental não repetir os erros da 2008, em que não se deu prioridade aos estímulos dependentes do clima para a recuperação”. De caminho disse que espera uma “quebra de 8% no recurso ao carvão em 2020”, recordando que é a “maior redução na queima de carvão desde a II Guerra Mundial”.

Alguns representantes da indústria, como Sushil Purohit, presidente da finlandesa Wärtsilä, especialista em energia renovável, congratularam-se com a decisão da AIE, revelando esperar que “encoraje os líderes mundiais a implementarem políticas que conduzam à aceleração da adopção de novas tecnologias, necessárias para se atingir 100% de energia renovável”.

O apelo de António Guterres faz todo o sentido, mesmo à escala europeia, uma vez que não é eficiente apostar em veículos eléctricos, não poluentes enquanto se deslocam, se a energia com que são recarregados é gerada através da queima de carvão, de longe o combustível mais poluente. Contudo, é igualmente o mais barato, onde é abundante no subsolo, o que leva a que países como a Alemanha e a Polónia ainda recorram à sua queima em centrais termoeléctricas, possuindo entre ambos 51% das centrais europeias a carvão.

Ainda assim, todos os países europeus acordaram já um progressivo encerramento deste tipo de centrais, o que irá acontecer de forma mais célere nuns países do que noutros, com a Alemanha a apontar para 2038 o fecho da última (ainda possui hoje 84), enquanto a Polónia admite que a meta de 2030 não será fácil de atingir.