Empresários moçambicanos ouvidos esta segunda-feira pela Lusa pediram ações “mais eficazes” para travar atentados e raptos no país, alertando para “altos níveis de impunidade”.

O país está a registar uma banalização dos atentados” e de pessoas baleadas, e “com muito alto nível de impunidade”, disse à Lusa Fernando Lima, presidente da Mediacoop, empresa ligada ao ramo de comunicação social.

Fernando Lima comentava o atentado, no sábado, contra Agostinho Vuma, presidente da Confederação das Associações Económicas de Moçambique (CTA), a maior entidade patronal do país.

Para Fernando Lima, é necessário que o país tenha “uma polícia mais eficaz e eficiente”, condição para travar atentados e raptos.

Por sua vez, o empresário do setor de hoteleiro Rui Monteiro disse que o caso do atentado contra Agostinho Vuma “chocou” todos os empresários, considerando que o sentimento de insegurança está a aumentar.

Isto é um ato inusitado e, realmente, como empresários pedimos ao Governo para atuar”, disse Rui Monteiro, apontando a necessidade de colmatar a insegurança que a crise, no seu entender, tornou pior.

Emília Naiene, empresária também do setor de hotelaria, declarou que o receio entre a classe tem aumentado, alertando que a situação de insegurança pode retrair investimentos e até o turismo no país.

Segundo Emília Naiene, há pessoas que seguem “os empresários para poderem fazer este tipo de barbaridades”.

Precisamos de segurança para podermos circular e trabalhar”, acrescentou.

De acordo com a polícia, o presidente da CTA foi intercetado por dois homens armados pelas 15:00 (14:00 em Lisboa) no edifício do seu escritório, na Avenida Josina Machel, junto à baixa de Maputo, no sábado.

Vuma foi atingido com dois disparos que o deixaram ferido, sendo de imediato socorrido, referiu a fonte policial.

O presidente da CTA está a ser assistido num hospital da capital moçambicana.

Agostinho Vuma, 44 anos, foi eleito presidente da CTA em maio de 2017.

É membro fundador da Associação dos Empreiteiros da Cidade de Maputo, da qual foi presidente, e esteve depois na génese da Federação Moçambicana de Empreiteiros.

É deputado da Frelimo na Assembleia da República de Moçambique, eleito desde 2015 pelo círculo eleitoral de Gaza, sul do país.