Angola desembolsou, no primeiro trimestre do ano, 495 milhões de dólares (436,5 milhões de euros) na importação de bens alimentares, uma diminuição de 31% comparativamente aos 717 milhões de dólares (632,3 milhões de euros) do último trimestre de 2019.

A informação foi divulgada esta quarta-feira pelo ministro de Estado para a Coordenação Económica, Manuel Nunes Júnior, na Assembleia Nacional, onde foi aprovada na generalidade a proposta de Orçamento Geral do Estado (OGE) revisto para 2020.

Manuel Nunes Júnior referiu que a importação de bens alimentares ainda consome atualmente cerca de 25% das divisas utilizadas para a importação de bens do setor não petrolífero.

“Quer dizer que ainda temos muitos recursos de divisas que são usados para bens alimentares”, referiu o governante, sublinhando que, no entanto, “a importação de bens alimentares tem estado a diminuir”.

Por exemplo, no último trimestre de 2019, a importação de bens alimentares foi de cerca de 717 milhões de dólares. No primeiro trimestre de 2020, este valor passou para 495 milhões de dólares, quer dizer que houve uma diminuição de 31% das importações de bens alimentares”, frisou.

O ministro angolano atribuiu esta evolução a uma melhor organização do mercado cambial e a um aumento da procura de produtos nacionais.

Estamos a verificar estes dois fatores, podemos dizer que estamos no caminho certo, há uma procura da produção nacional, há uma diminuição das importações e o que precisamos é cada vez mais apoiar os nossos empresários, dar-lhes os apoios necessários do ponto de vista de crédito, organização, de todos aqueles elementos que propiciem um bom ambiente de negócios”, indicou.

Por sua vez, o ministro da Economia e Planeamento, Sérgio Santos, afirmou que o setor da agricultura teve um aumento de 18% no OGE revisto, assegurando que estão disponíveis 327 mil milhões de kwanzas (498,7 milhões de euros), mobilizados na banca comercial para apoio aos produtores, e outros 39,9 mil milhões de kwanzas (60,8 milhões de euros) do Banco de Desenvolvimento de Angola (BDA).

Com base no Prodesi [Programa de Apoio à Produção, Diversificação das Exportações e Substituição das Importações] estamos a trabalhar com 1.682 empresas, 288 cooperativas por todo o país, para viabilizar o acesso ao crédito”, disse o ministro.

Segundo Sérgio Santos, “simplificar a vida complexa de se fazer negócios em Angola, facilitar o acesso ao crédito” e formalizar as empresas, são dois pilares muito importantes para o Prodesi.

Sérgio Santos admitiu que um número muito grande de empresas estão no setor informal e não têm acesso aos meios e às políticas de estímulo que o executivo pretende afetar às empresas.

Queremos assegurar que, apesar da exiguidade de recursos, existem recursos para apoiar este ano este esforço, um total de 327 mil milhões de kwanzas, mobilizados na banca, através do aviso 10 do BNA [Banco Nacional de Angola] e um compromisso do Banco de Desenvolvimento de Angola, de 39,9 mil milhões de kwanzas”, declarou.