Nos dias que se seguiram à confirmação da conquista da Premier League por parte do Liverpool, as análises que se fizeram à vitória da equipa de Jürgen Klopp tiveram quase todas um fio condutor comum: o facto de o treinador alemão ter chegado a Inglaterra para criar um projeto de raiz, sem pressas e sem vontade de apresentar resultados imediatos, a privilegiar o sucesso a longo prazo. E como vivemos num mundo em que o imediatismo reina, a pergunta que começou a ser feita assim que o Liverpool ganhou a liga inglesa foi a mesma em praticamente todo o lado: até quando é que o projeto de Klopp em Anfield vai durar?

E segundo o próprio, será até 2024. Em declarações ao SWR Sport, um programa de televisão alemão, Jürgen Klopp garantiu que quer ficar “mais quatro anos no Liverpool”, num total de nove temporadas desde que chegou a Inglaterra. O futuro, esse, deixou em cima da mesa: entre treinar outro clube, uma seleção ou até “não fazer nada durante um ano”. Certo é que, e independentemente de ter conquistado a primeira Premier League do Liverpool em 30 anos e de ter sido elogiado em praticamente todos os cantos do mundo, Klopp continua igual a si mesmo. E esta semana voltou a mostrar isso mesmo.

A história começa com Adebayo Akinfenwa, o avançado de 38 anos dos Wycombe Wanderers que na segunda-feira, depois da subida da equipa ao Championship, disse na flash interview que a única pessoa a quem responderia a uma mensagem naquela altura seria a Jürgen Klopp. E o alemão, alertado por Jordan Henderson para a brincadeira de Akinfenwa, não deixou o avançado à espera: enviou uma mensagem em vídeo, prontamente partilhada pelo jogador dos Wanderers nas redes sociais. “Olá, grande, parabéns! Vi o jogo mas não vi as entrevistas depois do jogo mas o ‘Hendo’, o Jordan Henderson, e outros jogadores disseram-me o que disseste. Parabéns. Estou bastante certo de que foste, pelo menos, um jogador de Championship durante toda a tua vida e agora, finalmente, estás lá. Muito bem. Grande, grande vitória. Mesmo em tempos estranhos, espero que celebrem apropriadamente”, disse Jürgen Klopp, confessando já na conferência de imprensa do jogo desta jornada que convidou Akinfenwa para a parada de campeão inglês do Liverpool, quando acabar o campeonato.

“Ele está convidado para a parada! Antes do jogo eu estava ligeiramente do lado do Oxford, porque temos lá um jogador emprestado, mas foi engraçado eles vencerem, achei giro vê-lo com o fato de treino [do Liverpool]. Gosto muito deste tipo de histórias. O futebol já era muito importante para mim antes de pensar em ganhar dinheiro. Podemos realizar os nossos sonhos”, acrescentou o treinador na antevisão da visita ao Arsenal, no Emirates, esta quarta-feira.

Os Washington Redskins decidiram mudar de nome

Um Arsenal que vinha de dois jogos seguidos sem ganhar, entre Leicester e Tottenham, e que precisava de pontos para continuar com um lugar garantido na primeira metade da tabela, sendo que a corrida pela Europa já parece algo distante. Aubameyang era a grande surpresa, por ficar de fora do onze inicial, e Mikel Arteta apostava em Bukayo Saka e Pépé no apoio a Lacazette, sendo que o jovem Reiss Nelson também era titular no lado direito, assim como Cédric Soares. Do outro lado, Klopp não surpreendia e apostava no trio natural, com Mané, Salah e Firmino, sendo que Oxlade-Chamberlain substituía o lesionado Henderson no meio-campo.

O Liverpool abriu o marcador, através de uma combinação entre Firmino e Robertson que acabou com um cruzamento tenso que permitiu a Mané rematar de primeira para bater Emiliano Martínez (20′), mas o Arsenal só precisou de pouco mais de dez minutos para empatar o jogo. Reiss Nelson pressionou Van Dijk, que cometeu um raro erro e atrasou mal para Alisson; Lacazette antecipou-se, tirou o guarda-redes brasileiro do caminho e empurrou para a baliza deserta (32′). Já na reta final da primeira parte, e numa altura em que tanto Klopp como Arteta já pensavam no intervalo, a defesa do Liverpool voltou a comprometer e abriu caminho ao segundo golo dos gunners. Alisson errou um passe e os papéis inverteram-se, com Lacazette a intercetar a bola para assistir Nelson, que atirou cruzado para colocar o Arsenal em vantagem (44′).

Ao intervalo, Arteta lançou Ceballos, Aubameyang e Willock e tirou Lacazette, Torreira e Reiss Nelson, enquanto que Klopp só mexeu ao passar da hora de jogo, para colocar Minamino e Naby Keita. O Liverpool dominou praticamente toda a segunda parte e andou à procura do golo do empate até ao apito final mas acabou por não conseguir repor a igualdade, acabando por ceder a segunda derrota da retoma e o segundo jogo seguido sem ganhar, depois do empate com o Burnley. Do outro lado, o Arsenal alcançou uma vitória muito importante, ultrapassou esse mesmo Burnley e colou-se ao Sheffield United — muito graças a Lacazette, que marcou e assistiu para o segundo golo da equipa de Mikel Arteta.