O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, destacou esta sexta-feira a importância de os empresários do Algarve estarem “unidos” em torno da necessidade de apoiar o turismo neste período de crise motivado pela pandemia de Covid-19.

À saída de uma reunião com associações empresariais do Algarve, numa unidade hoteleira de Tavira, Marcelo Rebelo de Sousa disse que “a primeira conclusão é de unidade”, porque “estão todas unidas nos mesmos objetivos”, e considerou que “isso é muito importante porque são objetivos nacionais, não apenas regionais”.

O chefe de Estado português considerou que este é “um primeiro passo fundamental” para se avançar no apoio a um setor que é decisivo para o Algarve, mas frisou que as associações empresariais também “fazem a mesma leitura da situação” e acham que “não há tempo a perder”, porque “o turismo de facto desceu ao ponto zero e a importância do turismo aqui no Algarve é decisiva”.

Não é que não seja importante haver 300 milhões [de apoio para a região de fundos comunitários para recuperação] a pensar noutros setores, mas o grosso da economia do Algarve tem a ver com o turismo, a restauração, o comércio e serviços ligados ao turismo”, sublinhou.

Marcelo Rebelo de Sousa percebeu ainda que os empresários da região “têm expectativas legítimas e elevadas quanto a questões muito concretas”, como “por exemplo um programa de formação profissional, especificamente vocacionado para o setor do turismo e a pensar no Algarve”.

É muito importante para garantir, em termos de emprego e da vida das empresas, uma almofada social para depois a recuperação e a retoma no futuro”, alertou, frisando que lhe foram também transmitidas “preocupações de capitalização de empresas ou de crédito que permita, nesta situação de pressão e emergência, não só que muitas empresas que têm hipótese de sobreviver possam mesmo sobreviver, mas que isso se traduza em emprego, em estabilidade e paz social”.

O chefe de Estado disse também que foram abordados “domínios muito variados, que vão desde o aproveitamento daquilo que possa existir na sequência do novo regime que sucedeu ao layoff simplificado, até à formação profissional”, ou mesmo em “termos de moratórias bancárias e fiscais”, embora reconhecendo que “não são um problema especificamente só do Algarve ou do turismo”.

Embora haja flutuações de município para município e sub-região para sub-região, barlavento e sotavento, de facto arrancar do zero e chegar a 40 ou 50% é um caminho penoso que se está a fazer, com capacidade de resistência, mas penoso”, disse ainda o chefe de Estado, que saiu do encontro para se juntar aos 16 autarcas da região para um jantar em Tavira.

Questionado sobre a reunião com as autarquias algarvias, Marcelo Rebelo de Sousa disse que será a quarta de 16 que terão lugar até outubro/novembro e explicou que, nesses encontros, vão-se acertando linhas de atuação que podem evoluir de semana a semana.

Eles [autarcas] vão fazendo contactos, vão trabalhando em conjunto e com as associações empresariais, e portanto vão limando arestas e avançando naquilo que são as soluções”, disse, frisando que entre essas soluções há matérias como o Masters de Golfe ou a Fórmula 1, que se vai realizar no Algarve em outubro, que devem ser aproveitados, “sobretudo se não forem um acontecimento isolado e forem precedidos de campanhas sobre o país e o Algarve”.