A frase já foi dita há muitos anos, a ideia continua atual como nunca. Um dia Pimenta Machado, antigo presidente do V. Guimarães, explicou que no mundo do futebol “o que hoje é verdade, amanhã pode ser mentira”. Se à tirada somarmos o facto de estarem em causa transferências, o alcance torna-se maior. Se a tudo isso multiplicarmos o mediatismo dos protagonistas, o resultado final é ainda maior. Grande. Gigante. Incomensurável. A relação entre Leo Messi e o Barcelona tornou-se uma autêntica novela sem fim à vista. Mais: qualquer tipo de antevisão do desfecho pode ser ultrapassado pela velocidade de um tempo que por estes dias não dá tréguas. E basta atentar naquilo que diz Josep Maria Minguella, o representante que assegurou a contratação do argentino com 13 anos.

Bomba à vista no futebol: Messi prepara-se para pedir rescisão unilateral de contrato com o Barcelona

“Para mim, o Messi já tem equipa: o Inter. Em Itália pagam menos impostos e é por isso que o Cristiano Ronaldo está lá. Custa-me ver Messi em Inglaterra, por muito que o City tenha o seu amigo Agüero e Guardiola. Em Itália estão a tentar revitalizar o futebol com grandes contratações e dão vantagens aos futebolistas nos seu contratos publicitários”, disse na quarta-feira. “Atiraram-se para a piscina. Alguém sugeriu que o atraso do Campeonato mudava as datas para rescindir mas percebe-se que não têm isso como certo. Há 90% de possibilidades de Messi continuar no Barça. A interpretação da cláusula limita a possibilidade de alguém dar o passo em frente. A FIFA até pode deixar que outro clube o inscreva mas pode haver denúncia por duplicidade de contrato. E existe a ameaça legal que alguém tenha de pagar de um euro até 700 milhões”, referiu agora no seu canal do Youtube.

“Peço a Messi de joelhos que fique. Se não ficar, que não perdoem nem um euro”: o pedido do ex-líder do Barcelona que perdeu Figo

Houve um primeiro sinal: ao contrário do que estava inicialmente previsto, o esquerdino vai apresentar-se este domingo em Barcelona para fazer os habituais testes médicos com a equipa para não cair na alçada disciplinar do clube. De acordo com o Código de Disciplina nos catalães, falhar o dia de regresso aos treinos é ainda uma sanção leve. Dois dias valem duas sanções leves, por não se tratar de um jogo. Até aí, existiriam apenas multas pesadas, no caso de Messi, que ganha mais do que 100 mil euros mensais, poderia chegar aos 4% do vencimento, num quadro de punição “grave”. Depois, saltaria para “muito grave”, com possibilidade de suspensão da atividade, multas até 25% e, caso assim o clube entenda, a despedimento por justa causa – algo que não acontecerá, claro.

Segundo sinal de recuo por parte do jogador, neste caso representado pelos seus assessores: o pedido para haver uma reunião com os responsáveis blaugrana, em particular com o presidente Josep Maria Bartomeu (que terá assumido que se demitiria caso o argentino assumisse que essa era a condição para ficar na Catalunha), para haver uma tentativa de saída que não penalize ninguém e que permita ao Barcelona receber algum dinheiro pela sua saída, sendo que em Inglaterra assume-se que o Manchester City poderia pagar 100 milhões e mais jogadores como moeda de troca. Problema? As posição mudaram e agora foi o conjunto catalão a dizer que só aceita sentar-se à mesa com o capitão se for para renovar contrato com o clube ou para bater os 700 milhões da cláusula. “Não há nada para negociar, para nós sempre foi um jogador considerado intransferível”, defende.

Camp Nou a ferro e fogo: a imagem da carta da rescisão e as “letras pequenas” do contrato que abrem guerra Barça-Messi

O Barcelona utiliza a mesma estratégia que levou o PSG a pagar 222 milhões de euros por Neymar, naquela que é ainda hoje a maior transferência de sempre do futebol mundial. Mas enquanto continua a batalha entre Barcelona e Messi, e numa altura onde parece claro para todos que o Manchester City está preparado para receber o jogador desde que não tenha de pagar a cláusula proibitiva dos 700 milhões, há clubes que tentam um golpe de última hora para poderem mudar o rumo da história e com o PSG à cabeça numa tentativa de garantir o argentino preparando já um plano que permita em paralelo que o clube francês cumpra o fair-play financeiro. De acordo com a imprensa sul-americana, Leonardo, diretor desportivos dos gauleses, terá contactado o pai de Messi para perceber as condições de um possível negócio, ao passo que Neymar e Di María ligaram ao jogador tentando fazer com que se junte a um projeto de sonho que reunisse os três e Mbappé no ataque dos parisienses.

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Em paralelo, e de acordo com o L’Équipe, também a Juventus terá perguntado aos assessores do jogador qual é a sua real situação em termos contratuais e a possibilidade de ganhar o diferendo contra o Barcelona aberto pela rescisão unilateral de contrato na passada terça-feira para sair a custo zero. Em Itália, a imprensa transalpina não consegue ver o argentino num outro clube que não o Inter, que há muito sonha com a contratação de Lionel Messi, mas as informações que se cruzam apontam para outro cenário. Ainda assim, mesmo com PSG e Juventus a terem essa abertura para perceber o contexto da operação e com o As a falar numa batalha aberta nos Emirados pelos dois clubes-estado que tentam assegurar o esquerdino, todos colocam o City como destino provável. E já estará marcado um encontro entre o próprio Messi e Pep Guardiola na Cidade Condal nos próximos dias.