O navio humanitário Alan Kurdi, com 125 migrantes a bordo, atracou esta quinta-feira no porto italiano de Arbatax, na Sardenha, anunciou a organização não-governamental (ONG) alemã Sea-Eye, que opera a embarcação.

“Alan Kurdi chegou ao porto de Arbatax e recebeu instruções das autoridades portuárias para lançar âncora e aguardar novas instruções”, referiu num comunicado a ONG, que aluga o barco. A Sea-Eye, porém, esclareceu que não sabia se Arbatax seria um “porto seguro”, ou seja, se os migrantes, entre os quais crianças, poderiam desembarcar.

O Ministério do Interior italiano emitiu um comunicado mais cedo indicando que autorizou o navio a abrigar-se em Arbatax e a desembarcar as pessoas a bordo. “O procedimento de realocação europeu foi lançado ao mesmo tempo que a autorização para estes pedidos (para abrigar-se e desembarcar os migrantes). Oitenta por cento dos migrantes resgatados serão transferidos para outros países europeus”, conclui o comunicado do ministério italiano.

Anteriormente, a ONG com sede em Regensburg, na Baviera (Alemanha), havia indicado ter sido contactada pelas autoridades italianas “quarta-feira à meia-noite” para discutir o destino dos migrantes e para oferecer proteção ao barco em Arbatax contra o mau tempo.

A França havia pedido às autoridades italianas na quarta-feira que permitissem que o Alan Kurdi atracasse em Itália, quando a embarcação estava a caminho do porto francês de Marselha por não conseguir atracar na costa italiana.

Oito pessoas, incluindo um bebé de cinco meses, já haviam sido retiradas do Alan Kurdi pela guarda costeira italiana na terça-feira. Mais de 50 menores ainda estão a bordo do barco, muitos dos quais são jovens desacompanhados, de acordo com a Sea-Eye.

O porta-voz do Governo francês, Gabriel Attal, disse na quarta-feira que o barco Sea-Eye seria “recebido no porto seguro mais próximo”, com a França a recusar implicitamente qualquer possibilidade de deixar o navio atracar em Marselha.

O princípio de desembarque dos migrantes no “porto seguro” mais próximo, consagrado no direito marítimo internacional, equivale geralmente a confiar, durante as operações de salvamento no Mediterrâneo central, esta primeira receção à Itália ou a Malta.

Por seu lado, a cidade de Marselha afirmou estar disposta a acolher o navio “incondicionalmente”, embora a França sempre tenha recusado tal opção.