Desempates por grandes penalidades já se percebeu que não é propriamente o prato forte do Liverpool, que perdeu assim a Supertaça e os oitavos da Taça da Liga frente ao Arsenal. No entanto, e no jogo jogado, os reds continuam a mostrar a sua melhor versão, mesmo tendo adversários complicados logo a abrir como Leeds, Chelsea e Arsenal – somando outros tantos triunfos, um registo 100% vitorioso apenas conseguido por Everton e Leicester. Seguia-se o Aston Villa e uma exigência tão grande ou maior do que nos compromissos iniciais até pela exigência interna do próprio Jürgen Klopp, que admitia não ver a equipa ainda no ponto que considera ser necessário.

“Queremos voltar a ganhar o título mas para isso temos realmente que melhorar porque temos consciência que todos os outros irão também melhorar. Pelo que tenho observado, todas as equipas estão a ficar mais fortes neste mercado de transferências e o Aston Villa é um bom exemplo disso mesmo. Acho que as contratações do [Bertrand] Traoré e do [Ross] Barkley são ótimas e vão ajudar imenso a equipa. Mas há mais equipas, o Everton melhorou muito em relação à época passada. Temos que melhorar para estarmos na mesma posição do último ano, caso contrário não temos a mínima hipótese”, assumiu no lançamento do jogo em Birmingham.

“Isto não é algo novo para nós, é uma necessidade desde que cheguei ao Liverpool. Temos que melhorar. E não tem a ver com o facto de termos sido campeões na última época mas sim com o crescimento de várias outras equipas e é isso que também temos vindo sempre a tentar. Uma das etapas é conseguir manter a consistência, parece-me algo fundamental. E como se consegue? Jogando sempre ao melhor nível, sendo que os vários jogos ao mesmo tempo fazem com que esse melhor nível tenha diferentes escalões. O mais importante é que a equipa acredite que é capaz de chegar lá”, acrescentou ainda o técnico alemão, numa espécie de aviso à navegação também perante os pontos que já foram desperdiçados por outros candidatos como Manchester City ou Manchester United.

90 minutos depois, o mais fácil para resumir o encontro é que Klopp é um visionário até nos piores momentos. Para isso basta dizer que, ao intervalo, o campeão inglês já tinha sofrido quatro golos. E a certa altura da segunda parte ainda deu ideia que a dose podia ser a mesma tamanhas eram as facilidades encontradas. A certa altura, Gary Lineker, um dos melhores avançados inglês de sempre e comentador televisivo de referência, teve de deslocar-se ao Twitter para resumir em duas palavras aquilo que ninguém diria em dois minutos: “Fu***** hell” (para não ferir suscetibilidades, ou pelo menos para não ferir mais do que o próprio resultado já o faz, o melhor mesmo é passar pela rede social e acompanhar o chorrilho de descrições a começar pelo antigo dianteiro). No final, o Aston Villa ganhou por 7-2. E a humilhação, entre bolas nos postes, podia ter sido ainda pior.

Watkins foi a grande figura do jogo com um hat-trick em apenas 39 minutos: primeiro beneficiou de um erro crasso do guarda-redes Adrián numa saída a jogar com os pés para encostar para o 1-0 (4′); depois aumentou numa grande jogada individual onde deixou por terra Alexander-Arnold (22′); quase em cima do intervalo apontou o seu terceiro golo na sequência de uma jogada combinada numa bola parada (39′). Pelo meio, Salah ainda tinha reduzido numa jogada iniciada em Diogo Jota, que foi titular, e com assistência de Naby Keita (33′) mas McGinn, num remate de fora da área com o desvio num defesa, recolocara quase de imediato os dois golos de avanço (35′). No segundo tempo, e apesar das alterações de Klopp, o Liverpool foi uma equipa ainda mais partida, sofrendo mais três golos de Ross Barkley (55′) e Jack Grealish (66′ e 75′) atenuados por outro de Salah (60′).