Está aberta a porta para o adiamento do exame de acesso à especialidade de futuros médicos. A prova está marcada para o dia 30 de novembro mas, segundo o bastonário da Ordem dos Médicos, Miguel Guimarães, “pode ser feita mais tarde, em fevereiro ou março”, porque “só tem efeito em 2022”, altura em que os médicos fazem a especialização.

Ao Observador, o responsável diz estar preocupado com a evolução da pandemia e vai mesmo sugerir o adiamento do exame. O bastonário vai marcar uma reunião entre a Ordem, as Escolas Médicas, a Administração Central do Sistema de Saúde e o Gabinete da Prova Nacional de Acesso – sendo que a escolha da solução cabe, no fim, a este último. Miguel Guimarães acredita que poderá haver uma decisão já “durante este fim de semana”, até porque, a três semanas do teste, “se a solução for adiar, o Gabinete tem de decidir rapidamente”.

Caso a proposta não seja acolhida, o bastonário aconselha uma “descentralização” do exame, que é feito apenas em Lisboa, Porto e Coimbra, juntando centenas de alunos num só auditório. No total, são cerca de dois mil os estudantes que fazem esta prova anualmente. Miguel Guimarães sugere que desta vez se faça “em várias zonas do país”, de forma a juntar menos alunos e diminuir o risco de contágio.

Já em setembro, vários recém-licenciados em Medicina que representam faculdades de todo país pediam mais informações sobre a prova. Numa carta aberta, exigiam uma clarificação das regras sanitárias a cumprir no dia do exame. Um dos alunos que assina esta carta aberta, Manuel Maia, garante ao Observador que ainda não há respostas.“Tivemos há pouco tempo o horário da prova, que foi alterado, e a promessa de que iria sair um regulamento com as medidas sanitárias e os locais de prova, mas continuamos sem saber quais são”, indica.

O bastonário da Ordem dos Médicos concorda e acompanha a iniciativa dos estudantes. Indica que “têm razão em todos os pontos que colocam na carta” e “o Gabinete Nacional tem de ter em conta” as preocupações dos alunos.

Os futuros médicos falam em “desilusão” e lembram que passaram os últimos meses concentrados nesta prova, que ainda não sabem se vai ou não realizar-se, a três semanas da data marcada. Mais do que o adiamento, querem a garantia de que vão fazer o exame “em segurança”, assinala Manuel Maia.