Derrota, empate, derrota. O Benfica atravessa a pior fase da temporada com três jogos consecutivos sem ganhar depois de uma série de sete triunfos consecutivos na sequência da eliminação da Liga dos Campeões com o PAOK na Grécia. Mais do que isso, e se o cenário em termos globais é tudo menos famoso, a defesa, a forma como o todo defende, permanece como o principal calcanhar de Aquiles que justifica os recentes insucessos de uma equipa que mostra ser capaz de reagir à adversidade mas que continua a registar registos negativos pelos golos sofridos.

Jesus e o milagre da não multiplicação: a equipa que ia jogar o triplo sofreu três pela terceira vez (a crónica do Benfica-Sp. Braga)

Dado 1: esta é a equipa do Benfica com mais golos sofridos nas primeiras sete jornadas dos últimos 19 anos (nove golos), ao mesmo tempo que desde 2015/16 não fazia tão poucos pontos. Dado 2: esta é a equipa do Benfica com mais golos sofridos nos primeiros 11 jogos da temporada dos últimos 59 anos, sendo apenas a 16.ª vez que as águias concedem tantos golos nesse período inicial da época. Dado 3: esta é a primeira equipa do Benfica de sempre que sofre três golos em três jogos consecutivos, algo que nunca tinha antes acontecido e que justifica também a série de três encontros sem vencer, com duas derrotas pelo meio, que Jesus admite não ser habitual.

“Tudo tem a sua justificação. Não fizemos um bom jogo na primeira parte, o Sp. Braga controlou todos os nossos movimentos ofensivos, fomos uma equipa com pouca dinâmica e pouca velocidade. O Sp. Braga é uma equipa com alguma experiência, esperou pelas oportunidades e não falhou. Saiu para o intervalo a ganhar 1-0 após uma primeira parte onde não fizemos um remate, mesmo sendo uma equipa que cria ocasiões de perigo. Falámos ao intervalo, tivemos mais poder, mas defensivamente cometemos alguns erros e sofremos o 3-0. Quando estava 3-2, ainda podíamos ter feito o 3-3, mas não serve de desculpa para o que fizemos na primeira parte. Não pode voltar a acontecer. Temos de modificar muitas coisas: a forma como reagimos aos resultados é positiva, mas só quando há prejuízo é que a equipa começa a ter outras atitudes. A derrota custa muito, tira-nos alguma confiança, ainda por cima amanhã vai todo embora. Mais uma vez não temos tempo para falar, até sobre estes momentos do jogo. A culpa é principalmente minha, sobretudo na escolha dos jogadores, mas também sou forçado a isso, principalmente lá atrás. Isso faz com que soframos golos que normalmente não sofremos”, analisou.

“Agora é tempo para trabalhar coletivamente, erros individuais… Nesta linha de quatro mudámos completamente em relação à primeira, só tem o Jan [Vertonghen]. O Grimaldo está mas anda lesionado. Isso tem influência na confiança daqueles quatro jogadores, porque quando sofres, acontece isso. A mensagem só passa quando é falada e eles vão-se embora. É verdade que traz preocupação não ganhar há três jogos. O Sp. Braga é interessante, mas não justifica a nossa derrota. A justificação está nos golos, na forma como jogámos a primeira parte”, prosseguiu Jorge Jesus, antes de fazer um balanço desta primeira fase do regresso à Luz cinco anos depois.

Neste momento o Benfica não é líder, é vice-líder por enquanto. Estamos na sétima jornada, bem classificados na Liga Europa… Não tenho argumentos para responder. Os resultados têm sido muito positivos, por isso é que éramos primeiros. Só aqui e no Bessa é que não tivemos resultados positivos. Se são muitas derrotas em poucos jogos? São. Não estou habituado. Só perdi quatro nos meus últimos 90 jogos”, comentou o treinador, recuperando o histórico também do Flamengo e do Al Hilal.

Do lado do Sp. Braga, que ganhou pela segunda época consecutiva na Luz depois do triunfo por 1-0 em 2019/20 com golo de João Palhinha e quando Rúben Amorim era treinador, Carlos Carvalhal admitiu que os minhotos também tiveram de sofrer mas destacou a grande resposta da equipa frente a um adversário que nunca é fácil.

“Não há vitória na Luz sem sangue, suor e lágrimas e uma pontinha de sorte. Houve uma entreajuda muito grande da nossa equipa, um jogo muito bem preparado e no qual fomos muito organizados. Foi um jogo muito bom da nossa parte, soubemos sair para o contra-ataque e rodar a bola. Na segunda parte o Benfica apertou um pouco mais e não podemos dizer que é justo ou injusto. O terceiro golo é um rude golpe para o Benfica, contra a maré, o Benfica estava a dominar. Fomos estoicos a defender, num registo muito complicado para nós, foi o sétimo jogo em 20 ou 21 dias, assim como o Benfica, mas os meus jogadores foram fantásticos, uma verdadeira família, num grupo pequeno mas muito coeso. Ajudou a manter a vitória até ao final”, destacou o técnico arsenalista.