Uğur Şahin e Özlem Türeci dedicaram as suas vidas à oncologia, tendo desenvolvido vários métodos de imunoterapia pioneiros no tratamento de cancros. Mas este casal turco ganhou projeção recentemente pelas pesquisas inovadoras no campo do código genético modificado, que os lançou como os cérebros por trás da potencial vacina mais eficaz, até à data, contra a Covid-19.

O casal de cientistas co-fundou a BioNTech na cidade alemã de Mainz em 2008 e, na segunda-feira, uma parceira da empresa, a gigante farmacêutica norte-americana Pfizer, anunciou ao mundo que a sua vacina candidata era mais de 90% eficaz na prevenção da Covid-19.

Mas quem é o duo por trás da vacina mais promissora contra a doença? Şahin nasceu em Iskenderun, uma cidade na costa mediterrânica da Turquia. Depois mudou-se para Colónia, na Alemanha, quando tinha quatro anos, onde o pai trabalhou numa fábrica da Ford, de acordo com a Reuters. Em 1993, obteve o doutoramento na Universidade de Colónia pelo seu trabalho sobre imunoterapia em células tumorais.

Ugur Sahin and Ozlem Tureci behind the leading COVID 19 vaccine hope

Uğur Şahin nasceu em Iskenderun, na Turquia, e mudou-se para a Alemanha aos quatro anos, onde fez o seu percurso académico © Getty Images

Terá conhecido Türeci, filha de um médico turco, quando ambos estavam a iniciar as suas carreiras académicas na Alemanha. Ela tinha a ambição de se tornar freira, mas acabou por estudar medicina.

Ugur Sahin and Ozlem Tureci behind the leading COVID 19 vaccine hope

Özlem Türeci tinha a ambição de se tornar freira mas acabou por estudar medicina © Getty Images

O casal uniu-se devido à paixão partilhada pela pesquisa no campo da oncologia e terá até passado parte do seu dia de casamento no laboratório, como conta o The New York Times.

Embora esta vacina seja um grande passo para a comunidade científica, Şahin e Türeci são veteranos no mundo das inovações médicas. A dupla fundou a sua empresa anterior, Ganymed Pharmaceuticals, em 2001 para trabalhar no desenvolvimento de anticorpos no tratamento de cancros. A farmacêutica foi posteriormente vendida por 1,4 mil milhões de dólares (cerca de 1,2 mil milhões de euros), em 2016.

Após venderem a Ganymed Pharmaceuticals, fundaram a BioNTech, procurando usar um conjunto mais amplo de tecnologias, incluindo a ARN mensageiro (mARN), no tratamento do cancro.

Ainda antes da pandemia, a BioNTech estava bem lançada no mundo das farmacéuticas. A empresa angariou centenas de milhões de dólares e tem agora mais de 1.800 funcionários, com laboratórios em Berlim e noutras cidades alemãs, bem como em Cambridge, no Massachusetts.

Şahin, presidente-executivo da empresa, e Türeci, diretora médica, estão entre as 100 pessoas mais ricas da Alemanha, segundo a Reuters. Na terça-feira, o valor de mercado de sua empresa listada no índice Nasdaq estava cotado em 25,72 mil milhões de dólares — um salto enorme em relação ao ano passado quando cotava 4,6 mil milhões de dólares.

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Mas o compromisso de longa data com a ciência parece ter mantido o casal multimilionário com os pés bem assentes no chão. Em janeiro, depois de lerem um artigo científico na revista Lancet sobre o novo coronavírus em Wuhan, na China, Şahin e Türeci uniram os seus esforços da pesquisa sobre mRNA contra o cancro para o desenvolvimento de vacinas contra o vírus. Rapidamente, a BioNTech colocou 500 dos seus funcionários a trabalhar no projeto, fechando acordo para colaborar com a Pfizer em março.

A vacina da Pfizer/BioNTech usa ARN mensageiro (mARN) para desencadear uma resposta imunológica nas pessoas vacinadas, de forma a que haja já uma resposta pronta para o momento em que a pessoa for realmente infetada com o vírus SARS-CoV-2.

Em declarações à CNN na segunda-feira, Albert Bourla, CEO da Pfizer, classificou a vacina de “o maior avanço médico” dos últimos 100 anos.