O Centro Hospitalar Universitário de São João (CHUSJ), no Porto, abre esta quarta-feira uma nova área de 500 metros quadrados no Serviço de Urgência que permitirá “dar mais conforto, espaçamento e privacidade” a doentes não-Covid, foi esta terça-feira descrito.

“Não é para aumentar a capacidade de resposta. É para tratar com mais dignidade, conforto, espaçamento, privacidade e segurança os doentes não Covid”, disse esta tarde aos jornalistas o diretor da Unidade Autónoma de Gestão de Urgência e Medicina Intensiva do Hospital de São João, Nelson Pereira.

A nova área entra em funcionamento quarta-feira às 08h e é fruto de um investimento a rondar os 300 mil euros.

Ao longo de 500 metros quadrados estão distribuídas oito ‘boxes’ individuais equipadas com aparelhos médicos e poltronas, mas que têm espaço para a colocação de macas “se necessário, embora esse não seja o objetivo imediato”, descreveu a diretora do Serviço de Urgência, Cristina Marujo.

Ao lado, o enfermeiro chefe da Urgência, Paulo Emílio Mota, enfatizou na visita dedicada à imprensa a “importância de dar privacidade aos doentes” até porque, como Nelson Pedreira também admitiu: “Genericamente os serviços de urgência do país não são bons no que respeita à privacidade. Essa é uma das principais queixas dos doentes, o facto de se sentirem expostos”.

Somam-se oito gabinetes médicos num espaço que foi reformulado “não só, mas também” por causa da pandemia da Covid-19.

“[A obra foi] antecipada e provocada pela pandemia, mas estava pensada e sempre esteve nas nossas preocupações. É verdade que quando estamos em pandemia percebemos mais e melhor que os doentes não podem estar uns ao lado dos outros, as macas não podem estar colocadas umas ao lado das outras (…). Esta área não é para doentes respiratórios. Essas áreas [dedicadas a queixas respiratórias que são tratadas como suspeitos Covid] estão estabelecidas desde março e a trabalhar em pleno”, referiu Nelson Pereira.

O investimento nesta nova área, que demorou cerca de um mês e meio a ficar pronta, “mostra que o hospital não esqueceu os doentes não Covid”, acrescentou a diretora do Serviço de Urgência, enquanto o diretor da Unidade Autónoma de Gestão de Urgência e Medicina Intensiva frisou que “se antes não era aceitável que todas as pessoas estivessem no mesmo espaço ao lado umas das outras, é evidente que numa situação de pandemia isto preocupa 10 vezes mais”.

Em média o Hospital de São João está a receber no Serviço de Urgência 430 doentes por dia, um número que Cristina Marujo referiu “não ser muito diferente dos registos do passado”.

Questionados sobre preocupações com a época habitualmente associada à gripe, médicos e enfermeiros mostraram-se otimistas.

“Temos esperança que face a todas medidas [de combate e segurança por causa da Covid-19 como uso de máscara, distanciamento e etiqueta respiratória] que estamos a cumprir, pode haver um menor impacto da gripe neste outono/inverno a exemplo do que aconteceu no hemisfério Sul. Acreditamos que a gripe vá chegar mais tarde”, concluiu Nelson Pereira.