A diretora-geral da Saúde, Graça Freitas, está infetada com o novo coronavírus, confirmou a Direção-Geral de Saúde em comunicado onde indica que a responsável “manifesta sintomas ligeiros da doença”. Será cancelada a conferência de imprensa desta quarta-feira e os contactos estão a ser testados – incluindo a ministra da Saúde.

A Direção-Geral da Saúde informa que a Diretora-Geral da Saúde, Graça Freitas, testou ontem positivo para a infeção por SARS-CoV-2, estando neste momento em isolamento. A Dra Graça Freitas manifesta sintomas ligeiros da doença.

O rastreio de contactos pela Autoridade de Saúde Regional está atualmente em curso, para identificar todas as pessoas potencialmente expostas.

A ministra da Saúde, Marta Temido, e os secretários de Estado da Saúde, António Lacerda Sales e Diogo Serras Lopes, testaram negativo para a Covid-19, confirmou o Observador junto do Ministério da Saúde.

Os governantes do Ministério da Saúde realizaram teste de rastreio à Covid-19 ontem à noite, dia 1, na sequência de identificação de contacto com a Diretora-Geral da Saúde, Graça Freitas, e não foram considerados contactos de alto risco pelas autoridades de saúde”, adiantou o Ministério em comunicado.

Tanto Marta Temido como António Lacerda Sales, secretário de Estado Adjunto e da Saúde, estavam em isolamento a aguardar o resultado dos testes. Ao que o Observador apurou, os governantes do Ministério da Saúde estão assintomáticos.

Também foram testados os familiares e os motoristas dos governantes. De acordo com o Expresso, o marido da ministra, Jorge Simões, antigo presidente do Conselho Nacional de Saúde, também testou negativo.

Rui Portugal substitui Graça Freitas

Quem está a substituir a diretora-geral da Saúde é Rui Portugal, subdiretor-geral da Saúde.

Estou a substituir a Dra. Graça [Freitas] como autoridade de saúde nacional“, afirmou Rui Portugal ao Observador, acrescentando que atualmente está a decorrer uma “avaliação global de toda a situação e dos contactos que foram feitos” para se poder determinar quem tem de ser testado e quem tem de ficar em isolamento.

Graça Freitas tem 63 anos e é diretora-geral da Saúde desde 2018, após a saída de Francisco George. Acaba por ter infeção confirmada nesta “segunda vaga” da pandemia, algo que em Espanha aconteceu logo em março – nessa altura, o homólogo espanhol de Graça Freitas, Fernando Simón, também foi contagiado pelo novo coronavírus, com 57 anos.

No início do mês de novembro, a diretora-geral da Saúde, durante a conferência de imprensa sobre o estado da pandemia, diz que após esta “segunda vaga” – que, segundo alguns especialistas, já está em retração – haverá vários picos, porque esta pandemia “não é uma montanha, mas uma cordilheira”.

“O meu primeiro apelo é para não baixarmos a guarda por muito cansados que estejamos”, pediu Graça Freitas, reconhecendo que a fadiga pandémica é um problema. A prevenção é a melhor forma de achatar a curva, reforçou nessa altura a diretora-geral da Saúde, que acrescentou que apesar de os profissionais de saúde fazerem todo o possível para tratar bem os doentes, o melhor mesmo é não adoecer.

Para isso, reforçou uma vez mais Graça Freitas, é preciso reduzir o número de contactos, sem deixarmos de trabalhar, ir à escolas ou às compras. “O básico é manter a distância física”, uma distância de dois metros, disse a diretora-geral de Saúde. E, o mais possível, usar máscara, lavar ou desinfetar as mãos e evitar levar as mãos à cara.

Graça Freitas: “Estamos a correr uma maratona sem fim” e “não sabemos o tamanho da montanha”

Estes foram conselhos partilhados vezes sem conta nas conferências de imprensa dos últimos meses, em que Graça Freitas é presença assídua. A estes conselhos juntaram-se outros como “espirrar ou tossir para o cotovelo e a mais de um metro” de outras pessoas. Graça Freitas referiu, também, a dada altura, que “não nos devemos beijar todo o dia e a toda a hora nem devemos confraternizar tanto como habitual”.

Somos todos agentes de saúde pública. Contamos uns com os outros. Esta é uma doença que afeta toda a gente. Os nossos comportamentos são a grande barreira entre nós e o vírus para achatarmos a curva e termos melhor saúde e melhor vida”, afirmou Graça Freitas.

Graça Freitas disse, também, em entrevista recente à RTP que nesta segunda vaga da pandemia, em comparação com a primeira, “a grande diferença” é o perfil etário, que se situa agora entre os 20 os 50 anos.

A diretora-geral alertou que apesar de a maior parte dos jovens terem doença ligeira, há “um efeito indireto” no aumento do número de idosos infetados, que vão levar a “uma ocupação grande dos serviços de saúde, públicos, privados, sociais” e a “uma pressão maior”, advertiu.

A habitual conferência de imprensa, que estava prevista para quarta-feira na DGS, foi cancelada, indicou o comunicado da Direção-Geral da Saúde.