O momento correu o mundo. Raúl Jiménez e David Luiz, na sequência de um canto cobrado por Willian na esquerda do ataque do Arsenal, envolveram-se num choque de cabeças arrepiante que deixou o mexicano inconsciente. Jiménez foi de imediato transportado para o hospital, foi submetido a uma cirurgia devido ao grave traumatismo craniano e ainda não tem data prevista para o regresso aos relvados. Mas este domingo, antes de o Wolves defrontar o Liverpool em Anfield, o mexicano esteve em campo: todos os jogadores de Nuno Espírito Santo entraram para o aquecimento com uma camisola que tinha o nome de Jiménez e o número 9 que normalmente leva nas costas.

Mas já antes, na antevisão da partida, tinha sido o próprio treinador português a falar sobre a importância do mexicano não só para a equipa, não só para o clube mas também para a cidade de Wolverhampton. “Não estou surpreendido com a reação [dos adeptos]. O Raúl significa muito para esta cidade. Tudo o que disser sobre o Raúl não é suficiente porque ele é uma pessoa incrível. Passa-nos tudo pela cabeça quando vemos alguém que adoramos e admiramos numa situação difícil. Ele significa tanto para nós. É como quando alguém da nossa família fica doente. Foi sério. Ficamos receosos no início mas agora estamos numa situação mais normal. Os nossos pensamentos e orações estão com ele”, explicou Espírito Santo.

Raúl Jiménez choca de cabeça com David Luiz, é assistido dez minutos, sai de maca e é levado para o hospital

Questionado sobre se já existe uma data prevista para o regresso de Raúl Jiménez, o treinador português afastou o assunto e garantiu que este “ainda não é o momento” para falar sobre isso. “Agora, a nossa preocupação real é que recupere totalmente. Depois disso, vamos ter tempo. Nestas situações, tem muito a ver com a evolução do jogador, como ele se sente, mas estamos a pensar positivo porque os primeiros dias são muito importantes. É isso que o médico me tem dito — os primeiros dias são cruciais (…) Agora, se me perguntarem pessoalmente, colocando de lado o meu desejo e aquilo que quero, eu quero-o e estou confiante de que vai voltar. Ele vai voltar. Mas agora é tempo para deixar a situação com os médicos, para ele ficar OK, relaxado, seguir os médicos e depois vamos ter tempo para estar juntos e conversar”, terminou Nuno Espírito Santo.

Este domingo era então dia de visitar o Liverpool, que estava apenas quatro pontos acima na tabela da Premier League. Com cerca de dois mil adeptos de regresso a Anfield, os reds continuavam um período conturbado devido às diversas lesões: Trent Alexander-Arnold e Naby Keita estavam de regresso aos convocados e começavam no banco mas Alisson, Van Dijk, Thiago Alcântara, Joe Gomez, Shaqiri e Oxlade-Chamberlain também estão indisponíveis. Assim, quem aparecia na baliza era Kelleher, que se estreava na Premier League, e os jovens Neco Williams e Curtis Jones voltavam a ocupar os vazios tanto na direita da defesa como no meio-campo. Diogo Jota, que reencontrava a equipa onde se notabilizou no futebol inglês e que deixou no início da temporada para rumar ao Liverpool, começava no banco.

Do outro lado, a ausência de Raúl Jiménez era colmatada pela presença de Podence no eixo ofensivo, ladeado por Pedro Neto na esquerda e Adama Traoré na direita. Nas costas, João Moutinho e Rúben Neves também eram titulares, assim como Nélson Semedo na direita da defesa. No banco, na condição de suplentes, estavam os portugueses Fábio Silva e Vitinha e ainda Romain Saïss, já recuperado da Covid-19.

Numa primeira parte sem grandes oportunidades de golo, a diferença acabou por ser feita por um erro do capitão do Wolves: Coady tentou dominar a bola no peito, depois de um passe longo de Henderson, mas falhou a interceção e ofereceu o lance a Salah, que segurou e atirou de pé esquerdo para bater Rui Patrício e abrir o marcador (24′). Antes do intervalo, o árbitro da partida ainda assinalou uma grande penalidade a favor do Wolves, por alegada falta de Mané sobre Coady, mas o VAR anulou a decisão.

Na segunda parte e ainda sem alterações por parte de nenhum dos treinadores, o Liverpool acelerou assim que saiu do balneário e criou duas ocasiões quase consecutivas, ambas por intermédio de Mané, que primeiro permitiu a defesa de Patrício (47′) e depois atirou por cima (51′). O segundo golo não demoraria muito mais. Wijnaldum recebeu um passe longo vindo de trás em transição rápida, poderia ter assistido tanto Salah como Mané mas optou por finalizar, atirando um remate perfeito de fora de área que entrou direitinho no canto superior da baliza do Wolves (58′). O médio holandês, um dos elementos mais importantes do Liverpool nesta altura, voltou a celebrar tal como Van Dijk e a recordar o companheiro de equipa e de seleção.

Nuno Espírito reagiu com a entrada de Fábio Silva para a saída de Rúben Neves mas o resultado foi o contrário. Logo depois, Matip respondeu com um cabeceamento certeiro a um cruzamento de Salah (67′) e sentenciou a vitória da equipa de Klopp, que ainda viu Nélson Semedo fechar as contas com um autogolo (78′). Diogo Jota entrou a cerca de um quarto de hora do final e Trent Alexander-Arnold e Naby Keita, ambos lesionados há várias semanas, voltaram aos relvados.

Com esta goleada, o Liverpool voltou a colar-se ao Tottenham na liderança da Premier League, com 24 pontos, e engrossou aquela que é já a segunda maior série sem derrotas em casa na história do clube: 64 jogos seguidos sem perder em Anfield. A pandemia diz que é tempo de ficar em casa. E isso, curiosamente, é aquilo que o Liverpool faz melhor.