O presidente do CDS-PP desvalorizou esta quarta-feira o apoio de Abel Matos Santos, que integrou a sua direção, ao candidato presidencial André Ventura, salientando que o partido escolheu por “esmagadora maioria” apoiar Marcelo Rebelo de Sousa.

Francisco Rodrigues dos Santos falava aos jornalistas na sede do partido, em Lisboa, no final de uma reunião com a Associação Nacional de Farmácias, e foi questionado sobre o apoio manifestado pelo ex-porta-voz da tendência Esperança em Movimento e ex-vogal da comissão executiva do CDS-PP, o órgão mais restrito do presidente, ao candidato a Presidente da República e líder do Chega.

“Sinto-me confortável na medida em que o CDS aprovou em Conselho Nacional o apoio ao professor Marcelo Rebelo de Sousa com votação acima dos 80%. Nesta medida, tornou-se evidentemente claro que o CDS está ao lado da recandidatura de Marcelo Rebelo de Sousa, e que nos vamos empenhar para que seja eleito à primeira volta, com um resultado ainda melhor do que aquele que teve há cinco anos”, salientou.

O líder centrista realçou igualmente que, ainda assim, o CDS-PP é “um partido plural”, onde “há liberdade de pensamento”.

“Os órgãos foram inequívocos na manifestação deste apoio, e eu estou definitivamente muito agradado com isso”, insistiu, afirmando que não está “minimamente preocupado com as opções do Abel Matos Santos, o CDS tomou a sua por uma esmagadora maioria, qualificadíssima, com mais de 80%”.

“É essa a vontade dos militantes representados no Conselho Nacional, que tem de ser respeitada”, acrescentou.

Questionado também sobre as eleições autárquicas do final do ano, o líder disse que o CDS encara este desafio “com confiança, com a disponibilidade e a mobilização dos seus militantes” e mostrou-se convicto de que o partido conseguirá “atingir as metas” e “reforçar novamente o estatuto do CDS como o grande partido da direita portuguesa”.

No Conselho Nacional realizado em meados de dezembro, o apoio do CDS-PP à recandidatura do atual chefe de Estado foi aprovada com 153 votos a favor, 34 contra e 28 abstenções.

Num vídeo de um minuto e meio, publicado na terça-feira num canal da plataforma Youtube afeto à candidatura de André Ventura, Abel Matos Santos (que se demitiu da atual direção em fevereiro do ano passado, ao fim de duas semanas de mandato, na sequência de declarações polémicas), defende que “é preciso mudar, é preciso votar num candidato que quer romper com um sistema podre e corrupto, que quer fazer melhor”.

As eleições presidenciais, que se realizam em plena epidemia de Covid-19 em Portugal, estão marcadas para 24 de janeiro e esta é a 10.ª vez que os portugueses são chamados a escolher o Presidente da República em democracia, desde 1976.

A campanha eleitoral decorre entre 10 e 22 de janeiro, com o país a viver sob medidas restritivas devido à epidemia. Concorrem às eleições sete candidatos, Marisa Matias (apoiada pelo Bloco de Esquerda), Marcelo Rebelo de Sousa (PSD e CDS/PP) Tiago Mayan Gonçalves (Iniciativa Liberal), André Ventura (Chega), Vitorino Silva, mais conhecido por Tino de Rans, João Ferreira (PCP e PEV) e a militante do PS Ana Gomes (PAN e Livre).

Desde 1976, foram Presidentes António Ramalho Eanes (1976-1986), Mário Soares (1986-1996), Jorge Sampaio (1996-2006) e Cavaco Silva (2006-2016). O atual chefe de Estado, eleito em 2016, é Marcelo Rebelo de Sousa, que se recandidata ao cargo.