A Galp vai adquirir 10% do projeto de exploração de lítio da Mina do Barroso, em Boticas, por 6,4 milhões de dólares (5,26 milhões de euros), segundo um acordo assinado com a Savannah Resources, empresa que tem o contrato de prospeção, e divulgado esta terça-feira. A parceira é anunciada poucas semanas depois da petrolífera ter afastado a ideia de que poderá ser instalada uma refinaria de lítio na unidade de Matosinhos, refinaria de combustíveis que a empresa quer fechar este ano.

O comunicado enviado pela Savannah refere que “a Galp pretende assegurar uma posição de 10% do capital nas subsidiárias portuguesas da Savannah que detêm a Mina do Barroso por 6,4 milhões de dólares [5,26 milhões de euros], valor que vai ser usado para dar continuidade aos trabalhos com vista ao estudo definitivo de viabilidade [Definitive Feasibility Study (“DFS”)] do projeto, após as devidas autorizações e a conclusão dos acordos definitivos com vista à parceria”.

As duas empresas estão igualmente a avaliar em regime de exclusividade a possibilidade de assinar um contrato para a venda de 100 mil toneladas de por ano de concentrado de lítio da Mina do Barroso, o que corresponde a 50% da produção anual. A Galp Energia acrescentou que a empresa “está a avaliar várias oportunidades para diversificar o seu portefólio, onde se incluem a cadeia de valor das baterias e do hidrogénio verde. Em relação às baterias, estamos numa fase de estudos iniciais com parceiros para explorar potenciais parcerias que alavanquem nos recursos endógenos do país para formar novos clusters.”

A Mina do Barroso é apresentada como mais significativo projeto de exploração de espodumena de lítio da Europa ocidental e é o que está mais avançado para iniciar as atividades, aguardando ainda a declaração de impacte ambiental. A Savannah, empresa australiana, diz que a produção estimada no Barroso permitirá alimentar mais de 600.000 veículos elétricos anualmente, através do lítio extraído do concentrado de espodumena.

A espodumena é o minério da qual se extrai o lítio que depois é processado para  concentrado. No entanto, para dar o salto na cadeia de valor deste setor, é preciso ter uma refinaria que processe o concentrado em carbonato ou hidróxido, materiais usados nas baterias elétricas dos automóveis. É por isso que a estratégia de Portugal para o lítio prevê a instalação desta unidade industrial, de forma a reter cá a elo com maior valor acrescentado, em vez de exportar o concentrado para a China.

Ministro do Ambiente reafirma que Portugal “quer muito” ter uma refinaria de lítio

Nos planos do Governo chegou a estar a instalação da refinaria no Porto de Aveiro, tendo existido contactos com empresas internacionais para explorar esta localização.

A possibilidade de que esta refinaria venha a ser instalada em Matosinhos começou a ser falada no final do ano passado, na sequência do anúncio do encerramento desta unidade industrial feito pela Galp com a motivação de queda de procura de combustíveis por causa da pandemia e da transição energética. A empresa negou entretanto que existisse qualquer projeto para uma refinaria de lítio na unidade de Leça da Palmeira, cuja ligação ao porto de Leixões seria fundamental para este tipo de atividade.

Galp assegura que “não existe nenhum projeto de refinação de lítio para Matosinhos”

O fecho da refinaria de Matosinhos e o futuro daquelas instalações, que a Galp prevê transformar em parque logístico, levaram o Parlamento a chamar esta quarta-feira a administração empresa para dar explicações, a par com o ministro do Ambiente e presidente da Câmara de Matosinhos.