O primeiro-ministro António Costa terá sido intercetado em quatro das escutas feitas a João Pedro Matos Fernandes, ministro do Ambiente, avança esta sexta-feira o Expresso. Uma delas foi considerada suspeita — aquela em que Costa terá falado com Matos Fernandes sobre a localização de um projeto industrial de exploração de lítio e hidrogénio verde, possíveis interessados no negócio e uma eventual parceria com Espanha.

As escutas ao ministro do Ambiente tinham sido ordenadas pelo Ministério Público no âmbito de uma investigação relativa a suspeitas de favorecimento por parte do governo à participação da EDP, Galp, REN, Martifer e Vestas na candidatura nacional à construção de um projeto industrial em Sines. À época destas conversas, nem o primeiro-ministro, nem Matos Fernandes sabiam que os telefonemas do responsável pela pasta do ambiente estavam a ser intercetados.

O Ministério Público considerou que aquela escuta devia entrar no processo. António Piçarra, presidente do Supremo Tribunal de Justiça concordou, mas apontou que não encontrava indícios de crime naquela conversa, diz o Expresso. Quanto a outras chamadas foi decidida a sua destruição, pelo presidente do Supremo, por não entrarem no âmbito da investigação — nomeadamente uma em que Costa e Matos Fernandes falaram de apoios no consumo de energia durante o confinamento.

Na semana passada, o Expresso já tinha noticiado que o Ministério Público teria intercetado conversas entre o primeiro-ministro e o ministro do Ambiente, mas que o presidente do Supremo tinha determinado a destruição de duas delas, por ter entendido que não havia matéria ou indício criminal relevante. O Ministério Público recorreu e a decisão sairá agora do parecer de um juiz conselheiro.

Caso hidrogénio verde. Primeiro ministro apanhado em escutas. Alvo era o ministro do Ambiente

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Em novembro, a Sábado noticiou que vários membros do governo “são suspeitos de favorecimento do consórcio EDP/Galp/REN no milionário projeto do hidrogénio verde para Sines”. Será um dos maiores projetos selecionados em 2019 para uma candidatura nacional a um estatuto de interesse comum da Comissão Europeia e juntaria ainda a Martifer e a Vestas.

O secretário de Estado-adjunto e da Energia, João Galamba, e o ministro da Economia, Siza Vieira, também terão sido escutados, afirmou a Sábado à época, mas o Departamento de Investigação e Ação Penal (DCIAP) rejeitou que o ministro de Estado, da Economia e da Transição Digital tivesse sido alvo de escutas. Nenhum deles foi constituído arguido até este momento.