Quase um mês depois do ataque ao Capitólio, nos Estados Unidos da América, Alexandria Ocasio-Cortez serviu-se das redes sociais para contar, através de um direto transmitido no Instagram, o que aconteceu no passado dia 6 de janeiro. O relato do ataque e dos momentos agonizantes vividos pela congressista do Partido Democrata vieram acompanhados de outra revelação: Ocasio-Cortez foi vítima de abuso sexual.

No relato, a congressista conta como aquilo pelo qual passou no Capitólio foi afetado pela sua experiência enquanto sobrevivente de agressão sexual. Num vídeo longo e emocional publicado na segunda-feira, Ocasio-Cortez descreve como se escondeu atrás da porta da casa de banho quando o seu escritório foi invadido e como ouviu e viu, pela ranhura da porta, um homem caucasiano gritar “Onde é que ela está? Onde é que ela está?”, uma situação que a fez temer pela própria vida.

“Pensei que ia morrer. (…) Pensei várias coisas. Pensei que, se este era o plano para mim, então as pessoas seriam capazes de assumir as coisas a partir daqui”, chega a admitir perante uma audiência de mais de 150 mil pessoas. “Nunca estive tão quieta em toda a minha vida”, continua. O homem em questão, tal como descobriria momentos depois, era um polícia do Capitólio que olhava para ela com “raiva e hostilidade” e que não se identificou enquanto membro das forças de segurança.

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No Instagram, Ocasio-Cortez conta que ela e a equipa não sabiam se aquele polícia ia ajudar ou, pelo contrário, magoar os presentes. Ainda assim, o homem indicou-lhes um edifício para onde se deslocarem, sem oferecer escolta ou detalhar uma localização específica. A congressista acabaria, depois, por encontrar abrigo no escritório da representante da Califórnia, Katie Porter.

Ocasio-Cortez aproveita o relato para expressar a frustração que sente quando lhe pedem para seguir em frente: “Estas pessoas que nos dizem para seguirmos em frente, que isto não é nada de especial, que devemos esquecer o que aconteceu, até mesmo que devemos pedir desculpa… — essas são as mesmas táticas dos abusadores”. Segundo a BBC, a congressista faz aqui uma referência aos republicanos que se desresponsabilizam pelo motim no Capitólio. “Sou uma sobrevivente de assédio sexual”, acrescenta. “E eu não disse isto a muitas pessoas na minha vida. Mas quando passamos por um trauma, o trauma acumula-se.”

A congressista pede ainda responsabilidade sobre o que aconteceu no Capitólio e diz estar preparada para receber críticas após ter partilhado que foi vítima de abuso sexual, num evento isolado do que aconteceu a 6 de janeiro.