Um estado de calamidade teria sido suficiente para combater a pandemia de Covid-19 em Portugal, na perspetiva do secretário-geral do Partido Comunista — partido esse que votou quase sempre contra a todos os estados de emergência, à exceção do primeiro. Em entrevista à TVI, Jerónimo de Sousa defendeu que deviam ter sido tomadas medidas menos drásticas e alertou para “os efeitos” no plano pessoal e familiar deste confinamento que descreveu como “agressivo”.

Subestimar os efeitos desse confinamento agressivo no plano pessoal, no plano familiar, das pessoas não saberem o que hão-de fazer à vida. Como é que se admite que cheguemos a um ponto onde se que se tem mais medo de viver do que medo de morrer?

Questionado sobre qual teria sido a alternativa ao estado de emergência, o secretário-geral do partido que completa 100 anos de existência no próximo sábado, dia 5 de março, disse que “a alternativa não deveria ser o confinamento agressivo”. E sugeriu “medidas de proteção de confinamento em relação a situações mais sensíveis” em vez de se aplicar um confinamento geral em todo o país.

Jerónimo de Sousa, secretário-geral do PCP há 17 anos, não quis admitir explicitamente que o estado de emergência funcionou, apontando que, mesmo que o fizesse, não significaria que outras “medidas de fundo” adotadas não tivessem tido o mesmo efeito.

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Designadamente em relação à situação sanitária que o nosso país vivia, em que hoje se prova que era necessário medidas como o reforço do Serviço Nacional de Saúde, reconhecimento de profissionais pelo seu trabalho, rastreio, testagem e vacinação”, exemplificou.

O secretário-geral quis ainda deixar claro que o PCP não será, nem foi “ponte de apoio do governo do PS”. “O PCP, acompanhando, aquilo que era um sentimento fortíssimo em 2014/2015, lutou muito para travar aquilo que consideramos os efeitos devastadores de uma política de direita, política de terra queimada, uma política de cortes de direitos, de desemprego, uma política desastrosa”, afirmou, acrescentando que o PCP tem “um projeto alternativo, uma política patriótica e de esquerda”.