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O balanço final aponta para menos mortes, menos queixas, mais detidos e mais medidas para proteger a vítima e afastar o agressor. Os dados trimestrais de violência doméstica, divulgados esta terça-feira pelo Governo e que fecham o ano de 2020, mostram que 32 pessoas morreram em contexto de relações de intimidade.

A maioria, 27, eram mulheres, contando-se também três homens e duas crianças entre as vítimas mortais. Em comparação com o ano anterior, há menos três mortes registadas, embora só entre as vítimas de sexo masculino tenha havido uma diminuição (de 8 para 3 óbitos). Tendência contrária registou-se entre mulheres e crianças, que subiram de 26 para 27 mortes e de 1 para 2, respetivamente.

Em termos percentuais, os dados mostram uma descida de 8,6% de mortes.

Também o número de queixas diminuiu, com menos 1.864 denúncias a chegar à PSP e à GNR em relação ao ano anterior. Apesar da quebra de 6,3%, os números mantêm-se elevados: 27.609 queixas contra as quase 30 mil (29.473) do ano anterior.

Em contrapartida, o crime de violência doméstica levou mais reclusos para as cadeias portuguesas. A subida, em números absolutos, foi de 111 — uma subida de 1.010 reclusos para 1.121 no espaço de um ano, com a maioria (77%) a cumprir pena de prisão efetiva.

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Também as medidas de coação aumentaram 23,1%, de 663 para 816, e quase 79% delas recorrem a vigilância eletrónica.

Em queda (-15,7%), está o número de pessoas em situação de acolhimento que passa de 3.596 para 3.033. Entre elas, 1.716 são mulheres e 1.317 crianças, não havendo registo de homens a recorrer a esta medida de proteção do agressor.