O ex-diretor da Polícia Judiciária Militar, que é um dos 23 arguidos que está a ser julgado em Santarém por causa do furto nos Paióis Nacionais de Tancos e da recuperação das armas, começou esta quarta-feira a ser julgado num segundo processo relacionado com o caso, por violação do segredo de justiça. Mas se no processo que divide com outros militares da PJM e da GNR, com o ex-ministro da Defesa Azeredo Lopes e com os suspeitos do furto, é um dos únicos arguidos que ainda não prestou declarações, neste que decorre em Lisboa o coronel Luís Vieira respondeu a tudo o que lhe perguntaram. E, mais uma vez, garantiu que Marcelo Rebelo de Sousa lhe prometeu falar com a Procuradora Geral da República, Joana Marques Vidal, para recuar na decisão de entregar a investigação do caso à Polícia Judiciária civil.

O Ministério Público acusa Luís Vieira de ter violado o segredo de justiça em quatro ocasiões ao longo da investigação do furto a Tancos. A primeira foi a 3 de julho, quando Vieira foi a casa do então ministro da Defesa, Azeredo Lopes, para lhe manifestar ser contra a decisão da Procuradora-Geral da República em passar a investigação para PJ civil, uma vez que o crime tinha ocorrido em instalações militares. Essa decisão tinha-lhe sido comunicada pela própria Joana Marques Vidal, por telefone, depois de ter tido um azedo telefonema com o à data responsável pelo Laboratório de Polícia Científica, Carlos Farinha — que lhe pedira para ir fazer uma inspeção ao local do furto, a que ele se opôs.

“Intrigado e inconformado”, como descreveu fonte judicial a Observador, Luís Vieira afirma então que foi ter com o à data ministro da Defesa, Azeredo Lopes, à porta da sua casa (e não à casa, como se lê na acusação) alegando que Joana Marques Vidal estaria a “cometer uma ilegalidade”. O governante acabaria a convidá-lo para no dia seguinte estar presente em Tancos, numa cerimónia onde ia estar o Presidente da República Marcelo Rebelo de Sousa.

O coronel Luís Vieira ainda não prestou depoimento em Santarém, mas neste julgamento falou logo na primeira sessão

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