A instabilidade do Chega nos Açores parece não ter fim à vista e as eleições internas podem mesmo ser adiadas para depois das autárquicas. Fonte do Chega revelou ao Observador que é essa a intenção de André Ventura, que está focado nos candidatos autárquicos e numa aproximação ao PSD no arquipélago, já que o partido espera encontrar um “processo muito difícil” nos Açores e não exclui coligações autárquicas com os sociais-democratas, ao contrário do que acontece no continente.

Dez dias depois de Carlos Furtado apresentar a demissão e de André Ventura prometer reunir com a direção nacional do partido o mais depressa possível, o presidente do partido dá um passo atrás e, segundo a mesma fonte, apesar de admitir que as “divergências são insanáveis” e que um ato eleitoral é inevitável, considera que esta não é a melhor altura.

Líder do Chega/Açores demite-se após cisão na estrutura regional e quer clarificação

De acordo com fonte do Chega, o objetivo do líder do partido é que tudo decorra com a maior normalidade possível, sem nenhum deputado passar a independente, a manter-se o grupo parlamentar e com a direção atual em funções — apesar de Carlos Furtado estar demissionário. Pretende-se uma “suspensão das hostilidades, em nome do partido e das eleições autárquicas”.

Os deputados açorianos também não estão alinhados relativamente a esta possibilidade. Carlos Furtado, líder regional demissionário, lembra a conversa com André Ventura e a ideia que ficou clara sobre a marcação de eleições internas porque “fazia sentido clarificar” a situação. Ao Observador, o deputado diz estar certo que o ato eleitoral devia ser “o mais rapidamente possível” e “não vê porquê” alterar o caminho que estava previsto. “Acho que o processo de clarificação da direção regional é da maior importância que se clarifique porque o trabalho que vamos fazer a nível autárquico dependerá dessa clarificação de posições e não vejo como se possa conseguir fazer um bom trabalho autárquico sem que esta situação seja clarificada”, admite Carlos Furtado.

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O secretário-geral regional José Pacheco não tem conhecimento desta opção, mas está disponível para aceitar a sugestão da direção nacional de adiar as eleições. “Tudo o que seja favorável ao partido e aos meus próprios colegas, o que nos proteja, que seja no sentido da pacificação por mim está ótimo”, refere o deputado açoriano, que faz questão de se afirmar “100% Chega”.

Ainda sem a posição definitiva dos deputados, a direção do Chega acredita que a decisão certa é “evitar” que o ato eleitoral seja antes das eleições autárquicas e o líder estará a sensibilizar os deputados para este ponto e para que o partido não fique “mais fragilidade internamente”. Caso não seja possível por oposição de alguns dos protagonistas açorianos, Ventura pretende acelerar o processo, como estava previsto inicialmente, e fazer as eleições o mais rápido possível para reajustar as prioridades para o processo autárquico.

Açores. Chega “agirá muito duramente” caso algum deputado regional se torne “não-inscrito”

No dia da apresentação de Nuno Graciano em Lisboa, poucos dias após a deslocação aos Açores, André Ventura garantiu que se tratava de uma “situação de emergência” e da necessidade de encontrar uma “solução de consenso”, mas não de uma “mudança de 180 graus”, ao deixar claro que em causa estão apenas pontos de vista e opiniões diferentes entre Carlos Furtado e José Pacheco. Agora, o líder do partido pretende focar-se nas eleições autárquicas e adiar as internas regionais.