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Passava uma hora desde o início do debate entre candidatos à presidência da Comunidade de Madrid quando teve de ser cancelado depois de três dos cinco políticos presentes terem abandonado o estúdio. Pablo Iglesias, secretário-geral do partido do Unidas Podemos, foi o primeiro a sair da mesa da rádio Ser. Motivo: a adversária de extrema-direita recusou-se a condenar as ameaças que Iglesias diz ter recebido através de uma carta com balas.

Como avança o jornal La Vanguardia, o tema das ameaças, também recebidas pelo ministro do Administração Interna e pela diretora geral da Guarda Civil, foi o escolhido pela moderadora Angels Barceló para iniciar o debate. Rocío Monasterio disse condenar “todo o tipo de violência”, mas colocou em dúvida a veracidade das ameaças a Iglesias. O líder da extrema-esquerda reagiu e anunciou que, se Monasterio não voltasse atrás nas suas palavras e se não condenasse as ameaças, sairia do estúdio.

Monasterio não voltou atrás e, ao convidá-lo a sair, sugeriu que os espanhóis já não acreditam em nada do que venha daquele Governo. “Se é tão corajoso, levante-se e saia. É o que muitos de nós espanhóis queremos”, atirou Monasterio.

Iglesias tentou continuar a falar, mas a candidata falava por cima a insistir para que este saísse. O candidato argumentou que não era aceitável questionar ameaças “tão graves” como as que tinha recebido e continuar no debate e alegou que o canal Ser estaria a “branquear” a extrema-direita.

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A moderadora, após várias tentativas para controlar a situação, com Monasterio a interromper e a insistir que “ninguém em Espanha acredita neste senhor”, conseguiu dizer uma frase completa e avisou que aquele “não é o tom que temos de usar no debate”, tendo ainda pedido à candidata da extrema-direita para que respeitasse os turnos para falar. Em vão.

Antes de abandonar a mesa, Iglesias avisou a moderadora que estava “a cometer um erro” ao permitir que “esta gente” pudesse estar no debate “a defender coisas que vão contra a democracia” e que “efetivamente” não iria continuar ali. Já estava a colocar a máscara e Monasterio continuava a pedir-lhe para que se levantasse “de uma vez”. “Fora da política espanhola”, ainda provocou.

Ao ver o cenário descontrolado, a moderadora saiu mesmo do local onde estava para ir ter com Iglesias, para tentar travar o secretário-geral do partido do Unidas Podemos. Sem efeito.

Depois de uma hora de debate, houve um intervalo. No regresso, o candidato socialista Ángel Gabilondo também anunciou que estava de saída. Seguiu-se a candidata progressista Mónica García Gómez.

Nesse momento, Barceló decidiu encerrar o debate. Edmundo Bal, representante do partido Ciudadanos (centro-direita), ainda pediu aos adversários para que não se fossem embora, porque, alegou, seria “fazer o jogo ao Vox”. O debate acabou por terminar com a líder do Vox aos gritos, classificando a decisão do canal de rádio de “ditadura” e acusando estar a ser excluída: “Estão a amordaçar o meu partido”.

Poucas horas após o conflito, Iglesias anunciou que não participará mais em debates em que o partido Vox também seja convidado, iniciativa à qual aderiu pouco depois a candidata do Más Madrid, Mónica García Gómez.

A presidente da Comunidade de Madrid, Isabel Díaz Ayuso, não se encontrava presente no debate, dado ter recusado o convite.