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As fortes críticas lançadas por Pedro Nuno Santos à Ryanair continuam a gerar ecos, agora dentro do próprio PS. Depois de a líder parlamentar do partido, Ana Catarina Mendes, ter vindo censurar a reação de Pedro Nuno, pedindo “ponderação” e “sensatez”, recebeu uma crítica vinda da própria bancada — com avisos para o futuro da liderança.

O Observador apurou que os deputados do PS receberam um e-mail do colega de bancada Ascenso Simões em que este deixa avisos duros à líder parlamentar. No texto, o deputado, que faz também parte da Comissão Política Nacional do PS, confessa-se “preocupado” com o facto de se estar a “deslaçar” o grupo parlamentar e a “criar guerras desnecessárias” e vai mais longe, expressando dúvidas sobre se Ana Catarina Mendes deve continuar como comentadora no programa Circulatura do Quadrado.

“A dupla condição de presidente do grupo parlamentar e de comentadora de programa de televisão, quando não existe o peso da idade e décadas de experiência política que sempre concede autoridade, pode levar-nos a imprudências”, argumenta Ascenso. Mas “quando as imprudências se somam, teremos de ponderar se essa dupla função faz sentido”.

As críticas não se ficam por aqui e a elas acrescenta-se uma espécie de aviso: o deputado diz que “não gostaria de questionar, para além das decisões circunstanciais”, a liderança de Ana Catarina Mendes, mas não deixa de fazer um alerta: “Seria bom que se reunisse de prudência”, até porque só “desqualificam” no “futuro”.

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Pedro Nuno Santos responde a “atos hostis” da Ryanair contra a TAP: “O Governo não aceita lições de companhas estrangeiras”

O alerta é sobre os comentários de Ana Catarina Mendes na Circulatura do Quadrado, onde substituiu Jorge Coelho no ano passado — num lugar que também já foi ocupado por António Costa. Foi no programa da TVI que a líder da bancada reagiu duramente ao comunicado emitido por Pedro Nuno Santos sobre a Ryanair — Pedro Nuno dizia que o Governo “não aceita intromissões nem lições de uma companhia aérea estrangeira” e acusava a Ryanair de adotar “sistemáticos atos hostis” contra a TAP; Ana Catarina reagiu aconselhando menos atitudes “truculentas” e mais “recato, sensatez, bom senso nestas reações”, com a “responsabilidade acrescida” que o papel de ministro impõe.

Recorde-se que tanto Ana Catarina como Pedro Nuno são frequentemente apontados como hipóteses para uma sucessão no ciclo pós-Costa — o próximo congresso do PS já está marcado para julho, mas este ainda não será momento para desafios à liderança.

Discussões sobre corrupção aquecem o PS. Ascenso Simões critica “estratégia suicida”

Esta não é a primeira vez que Ascenso Simões expressa a sua discordância em relação a decisões ou comportamentos da liderança da bancada. Recentemente, o deputado também enviou um e-mail aos colegas em que criticava a “estratégia suicida” no argumentário do PS sobre corrupção, na sequência do caso Sócrates e dos ataques da vice-presidente da bancada, Constança Urbano de Sousa, ao socialista João Cravinho.