A Transportes Sul do Tejo registou, até às 17h00 desta quarta-feira, uma adesão à greve de 84,3% nos serviços de transporte e de 68,6% no total de trabalhadores, de acordo com fonte oficial da empresa.

Os trabalhadores dos TST — Transportes Sul do Tejo, que servem a Península de Setúbal, marcaram dois dias de greve para esta quarta-feira e sexta-feira para exigir atualização salarial.

Segundo fonte sindical, a greve estava, às 7h30, com uma adesão entre 90 e 95%.

O sindicalista João Saúde, da Federação dos Sindicatos de Transportes e Comunicações (Fectrans), recordou que em 20 de maio os trabalhadores tinham dado 15 dias à empresa para responder à exigência de atualização salarial e, como não obtiveram resposta, decidiram avançar para a greve.

Os trabalhadores tinham suspendido qualquer reivindicação devido à pandemia de Covid-19 até 20 de maio, dia em que fizeram um plenário e decidiram apresentar uma proposta à empresa de atualização salarial de 50 euros para o salário dos motoristas. Demos 15 dias à empresa para responder ou entregar uma contraproposta, mas até ao momento isso não aconteceu”, contou.

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João Saúde explicou, na altura, que os trabalhadores exigem a atualização dos seus vencimentos porque entendem que “não podem estar a ganhar o salário mínimo nacional“, sublinhando que a profissão de motorista é uma profissão de grande responsabilidade e sujeita a um enorme esforço em termos de horários.

Além da atualização salarial, os trabalhadores reivindicam também a criação de um acordo de empresa e a situação de créditos vencidos.

Trabalhadores dos TST pedem reunião urgente à empresa para debater proposta

Ao início da tarde desta quarta-feira, os trabalhadores anunciaram que iam pedir uma reunião à empresa depois de esta ter apresentado uma proposta que fica aquém do esperado quanto à tabela salarial.

Em declarações à agência Lusa após um plenário, João Saúde disse que os trabalhadores ficaram “indignados” com as propostas da empresa que não vão de encontro ao que pretendiam — uma atualização salarial — e colocam em cima da mesa a hipótese de voltar à greve. Por isso, os trabalhadores decidiram manter a greve de sexta-feira e, esta quarta-feira, vão pedir uma reunião à administração da empresa.

“A empresa entregou uma proposta aos trabalhadores na terça-feira na qual avançavam com um aumento do valor das diuturnidades em 1 de julho em 15 euros”, disse. Entre as propostas, está também a eliminação em janeiro de 2022 da rubrica de agente único.

“O trabalhador tem um subsídio por fazer o trabalho de cobrador de bilheteira [agente único]. A empresa quer eliminar e integrar o valor no salário. Isto dá a falsa ideia de que os trabalhadores dos TST passariam de um salário de 700 euros para 840 euros e isso é o que já recebem”, contou.

A empresa propõe também, segundo João Saúde, o aumento do subsídio de alimentação para 6,50 e de 7,63 para o subsídio de alimentação em deslocado.

Os trabalhadores reunidos em plenário não concordaram com estas propostas que não lhes dão nada de concreto relativamente à evolução da tabela salarial. Um salário entre 900 a 1000 euros base, tendo em conta o desgaste da profissão de motorista, a responsabilidade e a violência dos horários, seria, nesta altura, um salário para possível acordo”, disse.

A TST, detida pelo grupo Arriva, desenvolve a sua atividade na península de Setúbal, abrangendo os concelhos de Alcochete, Almada, Barreiro, Moita, Montijo, Palmela, Seixal, Sesimbra e Setúbal, efetuando serviços de transporte de passageiros, através de carreiras urbanas, suburbanas e rápidas.