O presidente da Câmara de Lamego disse na segunda-feira que “há culturas perdidas a 100%” no concelho, com prejuízo de “enorme gravidade”, que está a ser avaliado, devido à queda de granizo deste fim de semana.

“As freguesias de zona vinhateira e de pomar, como as de Cambres, Sande e a da cidade de Lamego, Várzea de Abrunhais, Britiande e Valdigem, principalmente no domingo, sofreram prejuízos de enorme gravidade, com várias situações de culturas perdidas a 100%”, afirmou na segunda-feira, à agência Lusa, o presidente da Câmara de Lamego, Ângelo Moura.

“Houve situações de danos em infraestruturas”, mas o que “mais preocupa e onde os danos são maiores são nas vinhas e nos pomares de várias frutas”, sublinhou o autarca.

Há também novas plantações que sofreram danos profundos e que apesar de terem sido logo tratadas, só os próximos dias é que vão revelar o real prejuízo e até que ponto foi feito o dano na planta e se estão ou não comprometidas as colheitas dos próximos anos”, explicou.

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Ângelo Moura referiu que há propriedades com “dezenas de hectares com perda total”, tanto de vinha como de pomares, embora os “danos efetivos, só com o passar dos dias é que vão ser contabilizados”. De todo o modo, para já, “pode falar-se em dezenas de milhares de euros”, salientou.

O presidente do município, a pedido de alguns produtores e associações de agricultores, reuniu-se ao início da tarde de segunda-feira com a diretora regional da Agricultura do Norte, Carla Alves Pereira, encontro que contou também com a presença dos presidentes de junta das freguesias mais afetadas. “Foram dadas algumas respostas às preocupações levantadas e procurou-se motivar os agricultores para a prevenção futura, no que diz respeito aos pomares, com a colocação de rede de proteção”, contou.

Os produtores ficaram a saber que, neste momento, “está aberta uma candidatura para realizar esse investimento” nas redes de proteção e foi também “acedido o pedido de prorrogação do prazo da candidatura”, acrescentou.

Também há um eventual reforço de verbas, caso seja necessário, num processo simplificado, sem exigências burocráticas e com apoio a 100%, a fundo perdido, de 18 mil euros por hectare, a que os agricultores se podem candidatar e que será objeto de resposta rápida por parte da direção regional”, prometeu.

O seguro de colheitas, “pouco divulgado e que deve ser difundido, nomeadamente, na zona das frutícolas” foi outro tema em cima da mesa uma vez que “tem de ser repensado porque o valor do prémio a pagar é avultado”.

“A diretora regional assumiu ainda o compromisso de encontrar soluções para os [produtores] que vão ficar numa situação de incumprimento das metas financeiras definidas, nomeadamente os jovens agricultores”, contou Ângelo Moura.

O granizo na região de Lamego, de acordo com o autarca, começou a cair na sexta-feira, mas “foi no domingo que se verificou a grande parte dos prejuízos, tendo em conta o tempo que esteve a cair, a violência com que caiu e o [grande] tamanho do granizo em si”.

Granizo em Armamar causa prejuízos de 3 milhões de euros nos pomares

O presidente da Câmara Municipal de Armamar disse na segunda-feira à Lusa que o “granizo severo” do fim de semana causou prejuízos nos pomares acima dos três milhões de euros e deixou a próxima colheita comprometida.

Em alguns casos há perda total de culturas, irremediavelmente destruídas. Para além disso, o granizo ainda causou danos nas plantas, quer na vinha, quer no pomar, o que vai comprometer a produção do próximo ano, ou mesmo dos próximos anos”, destacou João Paulo Fonseca.

O presidente da Câmara de Armamar referiu que o granizo começou por cair na sexta-feira, “mas atingiu uma pequena franja”, depois, ao longo do fim de semana houve mais episódios de queda, com o domingo a registar “um fenómeno bastante adverso”.

“Durante 40 minutos caiu granizo com intensidade, foi granizo severo, com dimensão considerável, o que acabou por destruir tudo o que apanhou. Há prejuízos em infraestruturas, casas particulares e lojas comerciais, mas o que mais preocupa é a agricultura”, sublinhou.

João Paulo Fonseca disse que a autarquia está no terreno, juntamente com a associação de produtores e técnicos do Ministério da Agricultura, a fazer um “levantamento mais afinado” dos prejuízos causados” e que ele já se reuniu, na segunda-feira, com a diretora regional da Agricultura do Norte.

“Mas já podemos dizer que só no que diz respeito ao setor agrícola”, sobretudo nos pomares, “são acima dos 3 ME de prejuízo. Da reunião saiu, pelo menos, a intenção de criar uma linha de apoio para os nossos produtores, que já tinha sido anunciada até por causa de Vila Real também [região igualmente afetada]”, contou. Uma linha que o autarca pediu à diretora regional para ser “reforçada para fazer face aos prejuízos no território de Armamar” e também solicitou que “essas linhas de apoio tenham algum período de carência” para os agricultores.

Essas linhas têm de permitir que os nossos produtores possam recorrer a elas e efetuar os pagamentos dos créditos, porque estamos a falar de um concelho que, nos últimos cinco anos, foi atingido quatro vezes por episódios desta natureza, essencialmente granizo”, lembrou.

João Paulo Fonseca explicou que “os produtores acabam por já não poder ter capacidade para recorrer ao crédito, a não ser que seja gerado um período de carência para que o consigam fazer”.

Dos pomares que possuem redes anti-granizo, o autarca explicou que “só cerca de 10% da produção do concelho” é que tem essa proteção e, dessa percentagem “só uns 2% é que foi atingido e a rede funcionou bem”.

Autarca de Vila Real defende verbas a fundo perdido para colmatar prejuízos

O presidente da Câmara de Vila Real defendeu na segunda-feira que os ministérios da Economia e da Agricultura devem apoiar com verbas a fundo perdido as atividades mais afetadas pelo granizo e chuva intensa que atingiram o concelho.

O mau tempo tem sido, de facto, terrível. E temos observado que nos últimos anos, fruto das alterações climáticas, a severidade do mau tempo, fora de época, tem sido muito constante e causado prejuízos imensos em todo o concelho”, afirmou Rui Santos.

Desde o dia 31 de maio que o concelho de Vila Real foi já atingido por três tempestades de granizo e de chuva intensa. A última situação verificou-se no domingo. O autarca apontou os prejuízos causados na agricultura, nomeadamente nas vinhas de freguesias como Abaças e Guiães, nos pomares e na horticultura, também nos stands de automóveis que têm as viaturas expostas ao ar livre, na queda de muros, nas vias públicas e em casas de particulares, que sofreram inundações. “Conheço variadíssimas situações em casas particulares onde os prejuízos também foram muito consideráveis”, salientou.

Segundo Rui Santos, a autarquia tem, através da Proteção Civil, “acorrido a todas as emergências” e tem conseguido “manter o concelho em funcionamento”.

E temos tentado, dentro daquilo que nos é possível, alertar o Estado central para a severidade das tempestades que por aqui têm caído e para a necessidade de apoio, nomeadamente nas atividades económicas que mais têm sido prejudicadas, como a vitivinicultura, porque os prejuízos são para o ano 2021 mas, em alguns casos, também para anos futuros”, frisou.

E explicou que, “em alguns casos, as videiras e árvores de fruto ficam de tal forma danificadas que a expectativa de produção fica condicionada nos próximos anos”.

Após a queda intensa de granizo a 31 de maio, foi estabelecida uma parceria entre o município e o Ministério da Agricultura para, “pelo menos, fornecer cal aos agricultores para a cicatrização das videiras e das árvores”.

Houve uma linha de crédito de três milhões de euros, mas face ao que aconteceu nos últimos dias a perceção que temos é que isso já não chega, temos que ir mais longe, o Estado central tem que ir mais longe, isto é uma competência do Estado central, não é da autarquia”, salientou.

E continuou: “Temos que, provavelmente, junto do ministério da Economia, mas também da Agricultura, dependendo dos setores de atividade, encontrar forma de apoiar os nossos concidadãos com verbas a fundo perdido, é isso que defendemos”.

Ao longo do dia de segunda-feira foram feitas as operações de limpeza de habitações ou de estradas. Rui Santos fez questão de agradecer a todos os que têm estado no terreno, desde a PSP e a GNR, às duas corporações de bombeiros do concelho (Cruz Branca e Cruz Verde) e à Proteção Civil Municipal. “Todos em conjunto souberam estar à altura das circunstâncias e num espaço de tempo absolutamente recorde conseguiram pôr a cidade, o concelho, tudo a funcionar, sem prejuízos de maior”, salientou.

Na sexta-feira, a chuva intensa provocou inundações no concelho, nomeadamente no mercado municipal, que está sofrer obras de requalificação. “As obras não estão concluídas e, portanto, vamos a tempo de retificar, sabendo nós que não podemos nunca prever tudo (…) Temos seguros, os empreiteiros têm seguros e tentaremos salvaguardar sempre o bem-estar daqueles que momentaneamente foram prejudicados e serão, obviamente, recompensados”, frisou. Relativamente à situação do mercado, o autarca lamentou e pediu desculpa pelo que aconteceu.

As previsões meteorológicas para Vila Real apontam para a possibilidade de queda de granizo e chuva nos próximos dias. “Estamos preparados, a Proteção Civil está preparada, temos um dispositivo preparado, agora temos a consciência de que nem sempre é possível resolver tudo ao instante e ao segundo”, salientou.