Christian Eriksen vai passar a usar um cardioversor-desfibrilhador implantável contínuo de forma a controlar os ritmos cardíacos anómalos, confirmou esta quinta-feira a Federação Dinamarquesa através do Twitter.

“Depois de Christian ter passado por vários exames de coração diferentes, foi decidido que o jogador deveria usar um desfibrilhador cardíaco”, lê-se na publicação. O dispositivo é necessário depois do ataque cardíaco que o jogador dinamarquês sofreu durante o jogo com a Finlândia, aos 43 minutos. Christian “aceitou a solução e o plano foi confirmado por especialistas nacionais e internacionais e todos recomendaram o mesmo tratamento”, diz a publicação.

Irmãos, campeões de badminton, médicos – como os Boesen se cruzaram no relvado para salvar Eriksen

A federação encoraja ainda todas as pessoas a dar ao jogador e à sua família “paz e privacidade nos próximos tempos”.

O que é um desfibrilhador interno? Cardiologistas explicam

Depois deste incidente, Christian Eriksen aceitou utilizar o chamado CDI, que evita que o coração volte a parar.

É um aparelho parecido com um pacemaker, que identifica uma arritmia cardíaca e aplica um choque. Esse choque reanima a pessoa de imediato.”, diz Victor Gil, antigo presidente da Sociedade Portuguesa de Cardiologia

O cardiologista Victor Gil,  explica à Rádio Observador que este aparelho está implantado debaixo da pele e é um reanimador portátil.

O desfibrilhador (CDI) deteta as arritmias e, com um choque, corrige-as. Por outras palavras, esta máquina não deixa a pessoa morrer quando o coração não está a bater corretamente.

Eriksen vai usar um implante cardíaco. “O CDI é um aparelho que evita arritmias”

Também entrevistado pelo Observador, Braz Nogueira, médico cardiologista esclarece que um CDI faz exatamente o que os médicos fizeram a Christian Eriksen em campo, quando o jogo entre a Dinamarca e a Finlândia foi interrompido.

O especialista explica que, no fundo, um defibrilhador “reverte a arritmia”.

Eriksen vai usar um desfibrilhador interno. Caso do dinamarquês “foi pior” do que o de Casillas, que “não voltou a jogar”

Christian Eriksen pode voltar a jogar futebol profissional?

Braz Nogueira, cardiologista e Professor Catedrático na Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa, não acredita que o jogador dinamarquês possa voltar a jogar ao nível em que jogou toda a carreira.

O médico recorda o caso de Iker Casillas, que sofreu um enfarte durante um treino quando era guarda-redes do Futebol Clube do Porto. Braz Nogueira acredita que o caso Eriksen é mais grave.

Repare, o que se passou com o Casillas (que teve um problema diferente, menos grave) não voltou a jogar. De modo que, neste momento, eu acho que ele (Christian Eriksen) , futebol profissional, não voltará a practicar” , afirma Braz Nogueira, cardiologista e Professor Catedrático na Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa

Já o antigo Presidente da Sociedade Portuguesa de Cardiologia é mais cauteloso. “Não é legítimo eu fazer qualquer consideração individual sobre este atleta porque não conheço o caso clínico.”, explica Victor Gil.

Mas na teoria, o especialista diz que um desfibrilhador é uma “limitação muito séria” para desportos em que envolvem contacto físico, como o futebol.

“No atletismo seria mais provável, no futebol há risco de um traumatismo.”, o especialista clarifica que um CDI está implantado de forma muito superficial do peito, debaixo da clavícula, e que até pode sentir-se “se uma pessoa passar com a mão nessa zona”. Ou seja, basta uma “cotovelada” para causar complicações

Ainda assim, o cardiologista revela que há pessoas que fazem desporto com este aparelho, mas que no futebol é muito raro.

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