O Presidente chinês, Xi Jinping, pediu uma “expansão do consenso e cooperação” com os países europeus, para “enfrentar desafios globais em conjunto”, numa altura de crescente tensão sobre os Direitos Humanos, noticia esta terça-feira a televisão estatal chinesa.

Xi Jinping fez o apelo durante uma videoconferência, realizada na segunda-feira com a chanceler alemã, Angela Merkel, e o Presidente francês, Emmanuel Macron, na qual foram abordadas as relações bilaterais entre a China e a União Europeia (UE).

Citado esta terça-feira pela televisão estatal CCTV, o líder chinês apelou ao “respeito mútuo” e “busca por interesses comuns”, e a uma “gestão adequada” das diferenças, visando desenvolver os laços entre a China e a Europa. “Esperamos que a Europa desempenhe um papel mais ativo nos assuntos internacionais, refletindo verdadeiramente a sua autonomia estratégica”, exortou Xi.

O apelo surge após uma visita do Presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, à Europa, que visou formar uma frente comum para desafiar a China em questões económicas e de Direitos Humanos.

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A cimeira da Organização do Tratado do Atlântico Norte (NATO) apontou também, pela primeira vez, a China como um adversário. Xi ressaltou o seu compromisso com um “verdadeiro multilateralismo”, que permita resolver os problemas internacionais “por meio de consultas“.

Apesar de a União Europeia reclamar há vários anos reciprocidade no acesso ao mercado, apontando que as suas empresas enfrentam regulamentos discriminatórios no país asiático, Xi pediu aos países europeus que “proporcionem um ambiente de negócios transparente e não discriminatório para as empresas chinesas”.

O Presidente chinês pediu também às nações europeias para apoiarem a celebração dos Jogos Olímpicos de Inverno de Pequim, em 2022, numa altura em que existe a possibilidade de alguns países boicotarem o evento, em protesto contra as violações dos Direitos Humanos na China.

A conferência entre os três líderes, que não foi anunciada antecipadamente, serviu também para abordar o comércio internacional, o combate às mudanças climáticas, a proteção da biodiversidade e a cooperação internacional no contexto da pandemia da Covid-19. As relações entre a China e a UE deterioraram-se nos últimos meses.

O acordo recíproco de proteção ao investimento continua pendente de ratificação no Parlamento Europeu, numa altura em que diferenças políticas estão a aumentar, após as reclamações europeias sobre a repressão de Pequim em Hong Kong e as violações dos Direitos Humanos dos membros da minoria étnica de origem muçulmana uigur, no extremo oeste da China.

A UE sancionou em 22 de março — após decisão semelhante dos Estados Unidos —quatro funcionários e uma entidade chinesa pela situação em Xinjiang. Foram as primeiras sanções aplicadas pela UE à China desde o massacre na Praça de Tiananmen, em 1989.

Pequim respondeu, por sua vez, sancionando dez europeus, metade deles eurodeputados, e quatro entidades, ao mesmo tempo que convocou o embaixador da UE na China, Nicolas Chapuis, para apresentar uma queixa formal a Bruxelas.