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Têm sido reportados por mulheres vacinadas contra a Covid-19 vários casos de alterações nos ciclos menstruais e até de ligeiras alterações nos seios. Embora nenhum destes efeitos esteja descrito nas fichas técnicas de nenhum das vacinas administradas, já há estudos a serem encetados pelo Reino Unido, Estados Unidos da América e Espanha, segundo o El Mundo, para perceber se haverá uma relação direta entre a vacinação e estes possíveis efeitos colaterais, que são tidos como “leves e passageiros”, sem repercussões na saúde.

A mais recente investigação está a ser levada a cabo pela Universidade de Granada, que se apoiou num estudo de Laura Cámara, parteira e especialista em saúde sexual feminina do Hospital Virgen de Las Nieves de Granada. Laura lançou o seu próprio levantamento de dados onde constatou que cerca de 51% das mulheres participantes tinham reportado algum destes efeitos após a inoculação.

O estudo da universidade espanhola acompanha mais de 120 mulheres a partir de um período pré-vacinação até um ano depois da mesma. O objetivo é analisar os ciclos menstruais, o padrão de sangramento e outros parâmetros como a coagulação ou o nível das hormonas, para poder perceber se há relação entre as vacinas e os efeitos reportados.

“Para já não se pode confirmar que as vacinas contra a Covid-19 causem este tipo de transtornos, mas também não se pode dizer o contrário”, afirmou a parteira, em declarações ao El Mundo. Ainda assim, os efeitos parecem ser “leves e passageiros”. Segundo dados do Ministério da Saúde espanhol, foram registadas 291 notificações relacionadas com o aparelho reprodutor e alterações nos seios, mas “não terá sido encontrada relação entre os sangramentos e a administração da vacina”.  Para a tutela “não podem ser consideradas reações adversas, mas problemas de saúde ocorridos em associação temporária à vacina”.

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Nos EUA, também a Universidade do Illinois está trabalhar num estudo estatístico com o mesmo tema, assim como o Reino Unido, que tem vindo a investigar alguns casos reportados. Nos meses desde o arranque da vacinação, o Reino Unido terá registado 2.200 casos de mulheres com alterações menstruais.

Aumento mamário depois de tomar a vacina?

A par dos registos relacionados com a menstruação, têm sido também registados alguns casos em que se observa um ligeiro aumento mamário, explicado, segundo o ginecologista espanhol Jackie Calleja, pela “inflamação dos gânglios linfáticos” após a toma da vacina, que “pode dar a perceção de aumento mamário”, refere citado pelo El Mundo.

Também Calleja enfatiza o principal: tanto o aumento mamário como as alterações menstruais “são efeitos menores, leves e transitórios”, pelo que não devem motivar alerta nem levar mulheres a questionar a toma da vacina. O médico assegura que não há qualquer risco de cancro da mama, infertilidade nem de aborto.

O ginecologista reforça que “passado uns dias a mama e o padrão de sangramento voltam à normalidade”, aconselhando apenas as mulheres a marcar as suas consultas de rotina mamárias apenas passadas quatro a seis semanas do momento da inoculação. Laura Cámara reforça a ideia, dizendo que servem estes avisos para “evitar medos e exames desnecessários”, tranquilizando as mulheres.