Eitan Biran sobreviveu ao acidente do teleférico de Stresa-Mottarone, em maio deste ano, mas os seus pais e o irmão de 2 anos morreram na tragédia. Agora, o avô materno, Shmuel Peleg, levou-o para Israel, violando a custódia determinada pelo tribunal de Turim, que deu a guarda de Eitan a uma tia do lado paterno, que vive em Pavia, no norte de Itália — e abriu uma luta pela custódia da criança.

A tia, Aya, apresentou queixa este domingo, depois de o avô ter levado a criança de fim-de-semana e não a ter entregado à hora de jantar, como combinado. “Isto irá deixar um trauma”, lamentou-se a tia ao Corriere della Sera. “Estamos a falar de uma criança com quem eu deixava os meus óculos quando ia para outra divisão da casa, para lhe garantir que regressava. Tenham noção do dano que isto vai causar.”

A procuradoria italiana já abriu uma investigação e concluiu que Eitan e o avô partiram para a Suíça e daí para Israel num voo privado, com o passaporte israelita da criança, que não tinha sido entregue como ordenado pelo tribunal.

O Times of Israel confirma que a criança está atualmente no país e cita um parecer do governo israelita, divulgado pelo Canal 12, que considera que estamos perante um rapto. Em causa estará uma violação da Convenção de Haia, que determina que, neste caso, Israel deverá tentar entregar a criança à sua tutora legal em Itália o mais rapidamente possível.

PUB • CONTINUE A LER A SEGUIR

A equipa de advogados do avô já reagiu. Em declarações ao La Repubblica, os advogados dizem que Shmuel Peleg estava “preocupado com a saúde do neto” e que “agiu por impulso”. “Vamos fazer tudo para que os direitos da família materna sejam reconhecidos e estamos confiantes que depois disso Shmuel voltará a ter confiança nas instituições italianas”, afirmam.

O acidente que vitimou a família de Eitan ocorreu a 23 de maio, quando um cabo principal do teleférico perto do monte Mottarone se quebrou. Quinze pessoas seguiam a bordo, das quais oito morreram. Entre eles estavam os pais e irmão da criança, que viviam em Itália, com a tia que acabou por ficar com a guarda da criança.