Os veículos eléctricos, quando recorrem a baterias para armazenar a energia de que necessitam para se deslocar, têm de enfrentar o peso excessivo e o custo elevado destes acumuladores. Especialmente se usam células menos sofisticadas ou eficientes. Daí que existam construtores que, em vez de investir na concepção e na produção de baterias melhores, mais baratas e com capacidade de armazenar mais energia, procurem o que denominam de range extenders, ou extensores de autonomia – motores térmicos destinados a gerar energia para recarregar as baterias a bordo.

Sucede que todos os motores de combustão, mesmo quando utilizados como extensores de autonomia, continuam a queimar combustíveis fósseis e, como tal, poluem como qualquer motor térmico, o que não ajuda à causa dos veículos 100% eléctricos. A solução é encontrar um motor que seja menos poluente e foi isso mesmo que a Aquarius Engines fez.

Esta empresa israelita, desconhecida para a maioria, começou por encontrar uma solução menos poluente, mais leve e mais barata para um gerador de energia, daqueles com a dimensão de um automóvel pequeno que se costumam encontrar junto de obras. Tradicionalmente, estes geradores, com uma capacidade para assegurar uma potência de 16 kW, pesam 570 kg e são animados por um motor que pode pesar entre 120 e 250 kg, que por sua vez necessita de manutenção a cada 200 a 400 horas.

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A Aquarius Engines concebeu um motor com apenas 10,5 kg, capaz de gerar a mesma quantidade de energia, instalado num gerador mais leve (com apenas 100 kg), mais barato, menos volumoso e a necessitar apenas manutenção em cada 1000 horas. Para mais, trabalha tanto a gasolina como a gás.

Se a Aquarius parece ter resolvido o problema dos grandes geradores, ou pelo menos encontrado uma solução alternativa, a indústria automóvel pretende que o seu motor compacto e leve, seja igualmente a solução para os extensores de autonomia dos eléctricos. Só que com um twist, pois em vez de queimar combustíveis fósseis, o objectivo é trabalhar a hidrogénio.

O motor desenvolvido pela Aquarius Engines é inovador, isto porque em vez de ter pistões de movimento linear num ciclo de quatro tempos, ligados a uma cambota que transforma o movimento de translação em rotação, a solução dos engenheiros israelitas funciona num ciclo de dois tempos e possui cilindros de movimento linear, muito mais compacto e sem lubrificação.

O potencial da solução da Aquarius prende-se com a possibilidade de este mesmo motor extremamente compacto ser capaz de alimentar motores híbridos plug-in, ou até eléctricos, ao serviço dos quais não teria necessidade de intervenções mecânicas antes de percorrer 80.000 km.

Uma unidade deste motor linear a funcionar a hidrogénio já foi testada pela austríaca AVL Schrick, para uma certificação independente. O motor de combustão, quando queima hidrogénio, polui muito menos do que se trabalhasse a gasolina, GPL ou gás natural, mas não é isento de emissões. Não gera CO2, mas o processo de queima de hidrogénio produz NOx, que aqui surge como uma pequena factura a pagar para gerar energia para alimentar as baterias, além da forma menos poluente para fazer funcionar um extensor de energia.