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Sarah Gilbert, que ajudou a desenvolver a vacina da Oxford/AstraZeneca, disse que, eventualmente, o SARS-CoV-2 vai ficar como os coronavírus que causam as constipações comuns: causando doença ligeira e com a população com um certo grau de imunidade contra eles.

O vírus modifica-se geneticamente de uma forma relativamente lenta e “haverá um desenvolvimento gradual de imunidade na população, como ocorre com todos os outros coronavírus sazonais”, disse a investigadora da Universidade de Oxford, num webinar da Real Sociedade de Medicina. “Eventualmente, o SARS-CoV-2 vai tornar-se um deles.”

Normalmente, os vírus tornam-se menos virulentos à medida que circulam com mais facilidade e não há razão para pensar que vamos ter uma versão mais virulenta do SARS-CoV-2”, disse a especialista, citada pelo The Times.

Isto quer dizer que a evolução do vírus não o levará para uma forma mais agressiva, que cause doença mais grave, pelo contrário, a doença será ligeira. O que não quer dizer que se torne menos contagioso, como disse Sarah Gilbert ao El País em julho.

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O diretor-geral da Saúde britânico, Chris Whitty, afirmou que é quase certo que as crianças em idade escolar vão ser infetadas com SARS-CoV-2 — tal como acontece com as constipações comuns. Por isso, recomenda a vacina a partir dos 12 anos com o objetivo de diminuir a perturbação ao longo do ano letivo.

Ainda em relação às mutações, Sarah Gilbert acredita que existe uma limitação: as modificações que permitem ao vírus escapar ao sistema imunitário podem acabar por impedi-lo de infetar as células humanas.

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As modificações mais importantes acontecem na proteína spike, que permitem ao vírus ligar-se às células humanas e que são o alvo dos anticorpos desencadeados pela vacinação. A mutação K417N da variante Delta Plus, por exemplo, faz com que o vírus escape mais facilmente aos anticorpos, mas também faz com que a proteína spike não se consiga ligar tão bem às células humanas. É a combinação com outras mutações que lhe permite ultrapassar estes obstáculos, explicou ao Observador Maria João Amorim, investigadora no Instituto Gulbenkian de Ciência, em junho.