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O Ferrari 156 foi um modelo de Fórmula 1 muito especial na história da marca italiana. Conhecido como sharknose, devido à sua frente estranha, o 156 é apontado como o primeiro F1 a ser desenhado com base em testes no túnel de vento, o que o tornou extremamente aerodinâmico. Isto explica em parte que, num circuito rápido como SPA-Francorchamps, os 156 fossem 32 km/h mais velozes em recta do que a concorrência.

Outro dos trunfos do Ferrari 156 era o seu motor, ou melhor, os seus motores, uma vez que a casa do Cavallino Rampante fazia correr duas versões do seu 1.5 V6. Um deles, o que ajudava o F1 a ser mais rápido em curva, tinha o “V” aberto a 120º, sendo uma unidade motriz extremamente larga e baixa, o que fazia maravilhas em relação ao centro de gravidade e, por tabela, à eficiência em curva. O outro 1.5 V6 tinha o “V” aberto a 65º, sendo mais alto e estreito, o que à época não trazia tantas vantagens.

O 1.5 V6 atmosférico fornecia 190 cv e conseguia suportar 9500 rpm, sendo que o 156 montava igualmente uma caixa de seis velocidades, o que era considerado uma modernice para a época. De recordar que este motor foi estreado em 1961, precisamente o ano em que o regulamento da F1 reduziu a cilindrada dos motores de 2,5 litros para 1,5 litros, o que fazia os F1 mais parecerem um F2.

Mas a magia do Ferrari 156 era imensa e justificada, uma vez que nunca outro modelo da marca transalpina conseguiu alcançar a pole position em circuitos como SPA com uma avassaladora vantagem de seis segundos. A Ferrari conseguiria sagrar-se campeã do mundo de F1 em 1961, com Phil Hill ao volante, isto depois de o primeiro piloto da equipa, Wolfgang von Trips, ter morrido num acidente em Monza, que também ceifou a vida de 15 espectadores.

A Sky Sports produziu um vídeo que presta homenagem à Ferrari e ao seu 156, com a ajuda de Damon Hill e Martin Brundle. O primeiro sagrou-se campeão do mundo em 1996 – teria ganho um segundo campeonato, se não tivesse sido alvo de uma manobra condenável de Michael Schumacher, o piloto de F1 mais castigado da história por comportamento antidesportivo. Brundle, pelo seu lado, foi o único adversário que conseguiu bater Senna com alguma regularidade, no campeonato de 1983 de F3, mas que nunca teve a sorte (ou os apoios) do seu lado na F1.

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