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A erupção do vulcão Cumbre Vieja, em La Palma (Canárias), continua pelo sexto dia consecutivo e entrou agora numa fase mais explosiva, com a coluna de gases a chegar aos 4.500 metros de altura (anteriormente situava-se nos 3.000) e com a abertura de duas bocas eruptiva, noticia o jornal El País. O Plano de Emergências Vulcânicas das Canárias (Pevolca) aumentou o nível de emergência de 1 para 2 e ordenou ao início da tarde desta sexta-feira a evacuação de três municípios devido a uma “intensificação do fenómeno explosivo” e “aumento do alcance do material vulcânico”.

Os cerca de 300 a 400 habitantes que ainda permaneciam em Tajuya, Tacande de Abajo e Tacande de Arriba tiveram que deixar as suas casas em menos de quinze minutos, sendo repentinamente expostos à possível queda de fragmentos devido à maior explosividade do vulcão.

Os bombeiros receberam ordem de retirada, devido o perigo de queda de fragmentos de rocha de grandes (piroclastos) dimensões. “Os bombeiros não atuaram mais para evitar riscos”, lê-se numa publicação no Twitter.

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As companhias aéreas Iberia, Binter, Canaryfly e Vueling cancelaram cerca de trinta voos de e para as ilhas Canárias de La Palma e La Gomera devido ao perigo da nuvem de cinzas gerada pela erupção do vulcão.

Lava do vulcão cobre mais de 190 hectares e já destruiu 420 casas

A lava do vulcão cobre neste momento 190,7 hectares e já destruiu, pelo menos, 420 habitações e 15,2 quilómetros de estradas, de acordo com os dados mais recentes do Copernicus, o programa europeu para a observação da Terra.

As fissuras continuam a libertar dois rios de lava, um virado a norte (que se poderá extinguir em breve) e outro virado a sul, cuja lava avança quatro a cinco metros por hora em direção ao mar. Os ventos a altitude, entre os três e os cinco mil metros, são predominantemente na direção sudoeste e arrastam a coluna de gases poluentes em direção às ilhas El Hierro e La Gomera. No final desta sexta-feira, os ventos podem mudar e passar a ser para noroeste.

La Palma, como as restantes ilhas das Canárias, é conhecida pela produção de bananas, mas a erupção está a ter e terá impactos muito negativos nas culturas da ilha. Primeiro, e logicamente, porque a lava destrói tudo à sua passagem e vai demorar muito tempo até que os solos possam voltar a ser cultivados. Depois, porque a quantidade de cinza no ar impede a entrada do sol e as plantas têm dificuldade de realizar a fotossíntese.

No futuro, as cinzas vão ser importantes para a fertilização do solo, mas por enquanto só causam danos, disse Domingo Ríos, professor de Produção Vegetal na Universidade de La Laguna, citado pela agência Efe.

As cinzas causam impacto também nas populações humanas, aconselhadas a ficar em casa e a usar máscaras faciais no exterior, e nos oceanos.

A queda de cinzas no mar, ao largo da costa de La Palma, pode ter impacto nos ecossistemas marinhos, alerta o comité científico do Plano de Emergências Vulcânicas das Canárias (Pevolca). Os gases tóxicos constituem ainda uma ameaça para as mais de 30 espécies de aves que existem na ilha de La Palma.

Aemet: “É muito improvável que o dióxido de enxofre entre em contacto com estas nuvens e produza chuva ácida”

Em relação à qualidade do ar, o Departamento de Segurança Nacional (DSN) espanhol, citado pela agência espanhola Efe, indica que, de acordo com os dados meteorológicos, está excluída a queda de chuva ácida durante as próximas 24 horas e acrescenta que “se ocorresse, não causaria efeitos significativos, uma vez que é um acontecimento pontual não persistente”. Na mesma linha, o serviço de proteção civil das Canárias insiste que “os valores de dióxido de enxofre indicam que a qualidade do ar é boa e que a chuva ácida está excluída”.