Depois de ter tentado que o processo e-toupeira fosse transferido de Lisboa para Guimarães, o ex-funcionário judicial Júlio Loureiro pediu aos juízes, a poucos dias do julgamento arrancar, para ser julgado num processo separado do principal. Em causa, está o facto de este arguido responder apenas pelo crime único de corrupção passiva, ao contrário dos restantes dois que respondem por dezenas de crimes. Para o advogado Rui Pedro Pinheiro, manter o seu cliente neste processo “irá retardar excessivamente o julgamento” já que terá de “ouvir toda a prova” de crimes que “nada têm que ver” consigo. Acredita que seria possível julgar Júlio Loureiro isoladamente  “em uma ou duas sessões”.

Como o meu cliente só ficou com um crime, mantendo-se no processo irá retardar excessivamente o julgamento, uma vez que vamos ter de ir à todas as sessões de julgamento, ouvir toda prova dos outros arguidos, referentes a dezenas de crimes que nada têm que ver com o meu cliente”, disse em declarações ao Observador.

O processo e-toupeira tem três arguidos: o ex-assessor jurídico da SAD do Benfica e as duas alegadas toupeiras — isto é, os dois funcionários de justiça que terão dado informações sobre inquéritos judiciais ao terceiro arguido, à data a trabalhar para os encarnados, a troco de bilhetes, convites e merchandising do clube. Só que a diferença da quantidade de crimes imputados a cada uma das duas alegadas toupeiras levou agora uma delas a pedir que o processo seja dividido em dois. No fundo, seria retirar uma das duas alegadas toupeiras do processo principal e isolá-la num só.

O advogado explica que, se o julgamento fosse em Guimarães, tal como pediu “não havia problema” em julgar Júlio Loureiro em conjunto com os restantes arguidos. Só que, com sessões marcadas todas as quartas-feiras até novembro, Rui Pedro Pinheiro queixa-se do facto de ele e o seu cliente terem de “fazer viagens todas as semanas para Lisboa”. “Eu até tenho de ir na véspera, gastar muito mais dinheiro, perder muito mais tempo, faltar ao serviço”, enumera, defendendo: “Se o processo fosse separado, resolvíamos [o julgamento] em uma ou duas sessões”.

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