A Ordem dos Nutricionistas congratulou-se esta quarta-feira com a redução do excesso de peso e obesidade das crianças portuguesas, mas pede uma avaliação do estado nutricional pós crise pandémica pois estima que na pandemia o peso da população tenha aumentado.

Excesso de peso e obesidade infantil diminuem em Portugal mas ainda atinge 30% das crianças

Em comunicado, a Ordem dos Nutricionistas aponta o estudo COSI Portugal divulgado na terça-feira, que indica que o excesso de peso e a obesidade das crianças portuguesas baixaram em 2019, mas explica que a sua preocupação se baseia nos dados da Balança Alimentar 2016-2020, que concluiu que os portugueses consumiram o dobro da energia necessária e se alimentaram de forma desequilibrada, e no estudo REACT-COVID 2.0, que mostrou que “a pandemia agravou as desigualdades na alimentação”.

A bastonária da Ordem dos Nutricionistas, citada no comunicado, considera que os dados do COSI Portugal revelam “um progresso positivo, tanto mais que esta tendência invertida de excesso de peso e obesidade se verifica desde 2008 a 2019”, mas deixa um alerta: “Não nos podemos demitir de responsabilidades quando ainda uma em cada três crianças portuguesas tem peso acima do recomendado”.

“Especialmente quando passamos por um período longo de alterações na alimentação, acompanhado pela redução da prática de exercício físico, o que pode ter hipotecado estes resultados”, acrescenta Alexandra Bento.

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A Ordem dos Nutricionistas pede ainda que seja feita uma nova recolha e análise de dados sobre o estado nutricional das crianças, “para que, de facto, se possa ter um conhecimento real do impacto da pandemia no estado nutricional delas e, consequentemente, na sua saúde”.

“Estávamos no bom caminho, mas ainda nos encontramos longe do destino ao qual desejamos chegar. (…) É preciso dados atuais sobre o peso das crianças e mais ritmo e mais intensidade na implementação de medidas que contribuam para que as crianças adquiram conhecimentos e competências para fazerem escolhas alimentares mais saudáveis”, reforça a responsável.

Oito em cada 10 crianças consome até três vezes por semana doces e salgados

No mesmo dia da apresentação do estudo COSI Portugal, o Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge (INSA) anunciou que vai liderar um estudo europeu para avaliar o impacto da pandemia Covid-19 no estado nutricional e no estilo de vida de crianças em idade escolar.

Segundo explicou, a iniciativa visa conhecer e compreender o impacto da pandemia nas rotinas diárias, bem-estar, hábitos e comportamentos alimentares, atividade física, variáveis socioeconómicas e perceção do estado nutricional de crianças em idade escolar (6 aos 10 anos), no continente europeu.

A Ordem dos Nutricionistas diz também esperar que, depois de tornada pública a decisão de contratação pelo Ministério da Educação na passada semana, a integração de nutricionistas nas escolas “possa ser célere por forma a levar a efeito uma verdadeira estratégia para a alimentação escolar”.